GRUPOS E ASSEMBLEIAS EM REUNIÕES DE ORAÇÃO CARISMÁTICA





PREPARAÇÃO DE UM ENCONTRO DE ORAÇÃO

Os encontros de oração (ou reuniões de oração) têm que ser preparados; não podem sair de improviso. Quero falar-vos das diferentes maneiras de os preparar.

1 - A primeira e a mais importante é a vida de oração individual de cada um dos participantes. Se algumas vezes acontece um encontro de oração estar amorfo e sem vida, é porque individualmente as pessoas não têm um contacto profundo com Deus. Se achais que se amontoam problemas nos vossos encontros de oração, é capaz de ser porque os participantes têm falta de oração individual e de contacto com Deus. O desenvolvimento da oração privada é essencial ao crescimento da comunidade num encontro de oração.

O ideal era que cada um chegasse à reunião já em espírito de oração, tendo rezado em cada dia da semana, caminhando dia após dia, num contacto cada vez mais íntimo com o Senhor. O que aconteceria, então, na reunião era que esta oração quotidiana viria à superfície, isto é, o espírito de oração e a centralização no amor de Deus que estão no interior de cada um emergiriam no grupo ou na assembleia de oração.

2 - Outra parte da preparação consiste numa oração especificamente feita pelo encontro de oração e pelo coordenador em particular. Cada pessoa, antes de ir para o encontro, deveria rezar pelo sucesso da reunião e por cada uma das pessoas que nela irão participar.

3 - Um terceiro ponto importante no que diz respeito à preparação é que as pessoas devem chegar ao encontro tendo-se predisposto a duas coisas: devem vir dispostas a aceitar o que Deus lhes quiser oferecer; os seus corações devem estar preparados e os seus espíritos receptivos ao que Deus lhes reservar. Deveriam ser como esponjas prontas a encharcarem-se nas graças que Deus se prepara para lhes dar. A outra coisa, talvez ainda mais importante, é que cada um chegue com algo para dar. Acima de tudo, devem vir cheias de amor para com todas as irmãs e irmãos e dispostas a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para os ajudar e fortificar. Devem rezar primeiro a Deus na sua oração particular e depois outra vez, no encontro de oração. Que se interroguem: "Que farei esta tarde? Será que deva contar tal ou tal acontecimento da minha vida? Deverei partilhar este pensamento que Tu me deste, Senhor? Que deverei eu dar? Que tenho eu para dar? O que irás Tu dar-me para que eu possa partilhar com os meus irmãos e irmãs?"
Deveríamos sempre chegar às reuniões de oração em espírito de caridade oblativa, que procura antes de tudo o amor dos irmãos, que busca dar e receber numa partilha e encorajamento mútuos. Se as reuniões de oração parecem querer extinguir-se e morrer, é quase sempre porque não se vai lá com amor.


ESPÉCIES DE ENCONTROS DE ORAÇÃO

Neste testemunho, comecei por descrever vários encontros de oração e encorajo-vos outra vez, segundo o que Deus vos proporcionar e a maneira que Ele vos conduzir, a que vos presteis a novas experiências de oração. Não fiqueis amarrados a um só método de oração e a um só método de orar. Não digais: "Rezar como rezam os nossos irmãos pentecostais, com as mãos levantadas, isso não é para mim. Nem nunca participarei dessa maneira em qualquer reunião!"

Não tendes razão. Essa maneira de rezar poderá ser exactamente o que vos falta para aprenderem a ser mais expressivos e mais livres para com Deus. É muito importante que não levantemos barreiras nos caminhos de oração e que estejamos sempre abertos para o que o Espírito Santo desejar de nós. O melhor para isso, penso eu, é expormo-nos voluntariamente e enfrentarmos diversos caminhos de oração.

1 - A primeira espécie de encontros de oração de que vos vou falar é aquela a que eu chamo "assembleia de introdução à oração". Acontece quando um pequeno número de pessoas fala a um grupo que previamente lhes tinha pedido para assistirem a uma reunião de oração porque estavam desejosos de saber mais coisas sobre a efusão do Espírito Santo. Este tipo de encontro de oração exige muita coordenação e requer boa preparação no sentido de que as pessoas se sintam habituadas e se exprimam com abertura na sua oração.

Quando fomos ao "Aquinas College", não éramos mais do que cinco ou seis e tínhamos que falar a um grupo de cerca de trinta e cinco pessoas: religiosas, seminaristas, padres e estudantes.
Começou-se com um ensinamento de base sobre Jesus Cristo, a aceitação de Cristo nas nossas vidas e a fé na sua Pessoa. A obra do Espírito Santo é manifestar a Cristo. Fizemos assim para que, logo desde o princípio, se estabelecesse uma centralização sobre Cristo quer na assembleia de oração, quer em todos os nossos ensinamentos. Quando as pessoas ouvem falar pela primeira vez em "efusão do Espírito", é muito possível que se fixem na efusão, esquecendo Aquele que é o seu grande dispensador.

A segunda coisa que fizemos foi partilhar algumas das nossas experiências e historiar um pouco do que tem acontecido desde o início do Renovamento. Seguidamente, conversámos sobre o lugar que o Espírito Santo ocupa na vida cristã. Cada parte do programa durava entre dez a quinze minutos. Finalmente, tivemos outra conversa, esta sobre a efusão do Espírito, como se recebe e em que consiste. Depois, houve um intervalo para descontracção, durante o qual tivemos ocasião de falar individualmente com várias pessoas e de responder a várias perguntas. Enfim, chegou a altura de nos reunirmos para o encontro de oração. Para começar, dissemos: "Se, depois desta reunião, alguém quiser receber a efusão do Espírito, sentir-nos-emos muito felizes por rezar com ela."

A reunião foi excepcionalmente boa, uma das melhores em que já tinha participado, e durou entre uma hora e meia a duas horas. Para terminar, rezámos, por cerca de vinte e cinco pessoas que pediram a efusão.
Hoje, após muitos anos de experiência, recomenda-se aos que vêm pela primeira vez que se inscrevam para participar num "Seminário de Vida Nova no Espírito" como preparação para a efusão. Estes seminários, que funcionam na maior parte dos grupos bem organizados, dados por pessoas preparadas para esse efeito, levarão as pessoas a empreenderem melhor uma caminhada espiritual e a compreenderem os dons e o compromisso que daí advêm. Assim, será uma comunidade inteira que orará com os irmãos que se apresentam como novos na reunião. Estando estes mais bem preparados, será um enriquecimento para o encontro e evitar-se-ão muitos problemas. Não queiramos andar mais depressa do que o Senhor e preparemo-nos convenientemente para receber a efusão do Espírito Santo. Deste modo, receberemos todas as graças e a nossa comunidade ficará mais rica e mais fortalecida e a nossa vida transformada.
Os que fizerem os ensinamentos dos seminários deverão ter presente que o seu ensinamento vai dar-lhes uma responsabilidade semelhante e tão importante como a das madrinhas e dos padrinhos: ajudar a que o baptizado caminhe no Espírito.

2 - À segunda espécie de encontros de oração poderíamos chamar "assembleia nova mas já em crescimento". Parece-me que todos nós temos este tipo de assembleias. Nestas também é preciso uma coordenação forte. É necessário que o coordenador inicie a reunião e a termine e, além disso, que tome a iniciativa em muitas ocasiões. Deveria ser um coordenador escolhido entre o povo e escolhido por Deus para condutor. Por outras palavras, acho que devemos discernir em oração qual é a pessoa que Deus deseja. Poderá indicar, entre as pessoas do nosso grupo, aquela em quem nunca tínhamos pensado para isso. Quando interrogamos Deus na oração, Ele começa a revelar-nos aquele que deve ser o coordenador no nosso grupo. Mas se temos necessidade de um coordenador, mais necessidade temos ainda de nos amarmos uns aos outros com amor autêntico e nunca "fazer caixinha", críticas ou outras coisas do género.

Num grupo recente que se encontra em crescimento, é de esperar que aconteçam coisas que não são inspiradas pelo Espírito Santo. Surgirão erros e, algumas vezes, ter-se-á que os fazer notar. É muito importante que nos corrijamos uns aos outros com amor e que nunca permitamos que um espírito mesquinho e de crítica se insinue na reunião. Nada será mais desastroso, mais capaz de arrasar a obra do Espírito Santo do que a falta de amor.

Temos necessidade de uma real abertura a Deus, de uma atitude de real expectativa de Deus, de uma procura d'Ele para sabermos o que Ele quer fazer; não digamos que, como já estivemos em bastantes encontros de oração, já sabemos o que deveria acontecer.

Nos nossos encontros de oração temos também necessidade daquilo a que chamarei "clima de liberdade". É preciso darmos às pessoas amor e segurança no seio do grupo para que não sintam medo de partilhar, nem medo de manifestar dons espirituais pela primeira vez pois muitas vezes não se sentem seguras e têm receio de cometer alguma gafe. Vede que um ambiente de abertura, de liberdade e de amor é de necessidade urgente. É o único ambiente que permitirá que um verdadeiro crescimento se realize.

3 - A terceira espécie de encontros de oração que desejo mencionar é a dos pequenos grupos de oração que podem reunir-se a grupos maiores. Quando um grupo de oração cresceu e dele fazem parte regularmente um razoável número de pessoas, poderá surgir o desejo e a necessidade de um grupo mais restrito. Num grupo mais restrito, alguns dos cristãos mais assíduos poderão crescer na docilidade ao Espírito; atingirão uma maior maturidade no exercício dos dons e maior profundidade na adoração. Dado que cada participante já está em crescimento espiritual, haverá mais maturidade nos encontros e, então, não existirá a necessidade de coordenadores. Na verdade, em grupos assim, não será mesmo preciso nenhum.

4 - Tivemos de tempos a tempos, porque sentíamos que Deus nos interpelava a isso, o que chamávamos "sessões de escuta". Sentíamos que Deus nos queria falar e que não devíamos fazer outra coisa senão escutá-l'O. Reuníamo-nos para rezar e para, juntos, pedirmos a Deus que nos falasse e indicasse claramente o que queria de nós. Adiante, juntávamo-nos para partilhar o que julgávamos que o Senhor nos tinha inspirado na nossa oração individual. Graças à partilha e à oração conjunta, que podia durar uma meia hora, chegávamos muitas vezes a uma verdadeira compreensão da mensagem de Deus. Acontecia sairmos para rezar individualmente mais uma vez, depois reunirmo-nos novamente e repetirmos este círculo todas as vezes que julgávamos que o Espírito o pedia. É vulgarmente uma união de fé. O Senhor serviu-se deste processo para nos ajudar de várias maneiras e, por vós próprios, podeis chegar à conclusão de que vale a pena experimentar para sermos auxiliados.


ALGUNS PROBLEMAS

1 - Não procureis publicidade. Ela virá mas não a procureis. Procurai somente a Deus, crescei no seu amor e Ele próprio se encarregará da publicidade quando muito bem entender.

2 - Não vos centreis no demónio. Deve pensar-se nisso quando for oportuno mas o maior erro que um grupo de oração poderá fazer será o de se ocupar demasiado com o demónio, de se concentrar na "caça ao diabo". Será bem melhor fazer adoração, ler a Sagrada Escritura e pensar no amor de Deus. Centrar-se em Satanás poderá deitar a perder um grupo de oração.

3 - Se um grupo de oração enfraquece, é preciso descobrir as causas. Muitas vezes constataremos que é necessário responsabilizar os participantes para darem algum contributo. A causa também poderá ser falta de oração individual ou de acção apostólica de cada um dos participantes. O coordenador poderá expor o problema e dar sugestões para reavivar o fervor.

4 - Se um encontro de oração se transformar em discussão e deixar de ser uma verdadeira reunião de oração, é forçoso fazer qualquer coisa para superar esta dificuldade. Poderá propor-se mais oração individual pelas intenções do grupo. O coordenador alertará para a necessidade de uma maior escuta de Deus, quer dizer, de mais momentos de silêncio durante a reunião para permitir que Deus fale através dos dons espirituais ou que inspire alguém a ler uma passagem da Bíblia. "Escutar a Deus" durante a reunião de oração, "confiar-se a Deus" significa que confiamos verdadeiramente na acção de Deus no grupo, que tentamos na verdade colocarmo-nos nas suas mãos, que não vamos dizer o que nos apetece dizer, nem mesmo dizer nada por nós, mas que vamos expressar unicamente o que Ele nos leva a dizer e que tem a sua aprovação.


O AUXÍLIO DE DEUS

Deus mandará todo o auxílio de que precisamos. Quando Deus quer…dá-nos todos os dons de que temos necessidade. São Paulo di-lo aos Romanos (Ro 8, 32): "Ele, que não poupou o próprio Filho mas O entregou por todos nós, como não havia de nos dar também, com Ele, todas as coisas?" Se Deus nos deu já o seu Filho para que morresse por nós, de certeza que nos dará todos os dons de que tivermos necessidade para o bom êxito do nosso encontro de oração. Não devemos senão descontrairmo-nos confiadamente para receber o que Ele nos quer dar. Enchei-vos de amor, perdoai, sede abertos como Ele. Não condeneis nem critiqueis. Fazei como Deus faz, que não condena imediatamente assim que erramos ou pecamos.

Poderá acontecer que uma assembleia de oração se assemelhe a um barco que está sempre no mesmo sítio. Não esqueçamos que estamos mesmo num barquinho à vela e que o vento do Espírito Santo sopra à nossa volta. Se nos abandonarmos nas mãos de Deus, Ele tudo fará para que a nossa assembleia de oração seja aquilo que Ele quer que seja. Se procurarmos a Deus, e a Deus somente, tudo virá a contribuir para o nosso bem pois Ele prometeu: "Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus".


ISTO LEVA-NOS AONDE?

Recordai-vos do encontro de oração de que vos falei logo no início deste meu testemunho e que se realizou em casa do casal Larson, no verão. Não era exactamente uma reunião de oração; era um encontro normal de cristãos. Durante um certo período de tempo, eles tinham-se encontrado para rezar várias vezes por semana. Depois, o Espírito Santo inspirou-os a terem só um encontro por semana e a contarem com Ele para trazer outras pessoas para rezarem juntamente com eles. As coisas aconteceram como no dia em que fizemos a experiência: as pessoas apareciam em casa daquele casal porque se sentiam atraídas pelo Espírito. Espontaneamente formava-se então um grupo e a oração fluía natural e livremente. Um certo espírito de oração e de adoração começou a encher a vida dos nossos amigos e, depressa, toda a sua vida iria transformar-se numa assembleia de oração. É a isso que o Senhor nos conduz: viver tão bem com Ele e uns com os outros que a nossa vida inteira vai ser um encontro de oração.

Jim Cavnar
(pioneiro da Universidade de Notre-Dame,
que veio a tornar-se coordenador de uma comunidade carismática americana)

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