GRUPOS E ASSEMBLEIAS EM REUNIÕES DE ORAÇÃO CARISMÁTICA
ADORAÇÃO
Num encontro de oração, parece-me que a adoração deverá ser
o mais importante. O centro da reunião deve ser Deus. Isto entra pelos olhos
dentro, mas muitas vezes parece que o esquecemos. A atenção principal deve dirigir-se
sempre para Deus e é por isso que a adoração e o louvor são sempre tão importantes,
pois dão o tom que convém aos encontros de oração.
É bom que se comece sempre uma reunião de oração, em pequeno grupo ou em assembleia,
com a adoração a Deus: orações espontâneas de louvor e adoração, cânticos de
louvor e de acção de graças, leituras da Sagrada Escritura, especialmente salmos,
tudo isto são maneiras de prestar culto a Deus. Numa boa reunião de oração,
a adoração surgirá como o verdadeiro centro do encontro. Será como que o coração
que dá vida e sentido a todo o resto.
CANTO
O canto é muito importante numa reunião de oração, quer ela seja em pequeno
grupo, quer seja em assembleia. No entanto, é necessário distinguir entre os
cânticos próprios de festividades e os cânticos de louvor e adoração. Muitos
de vós já, por certo, nalgumas reuniões, tiveram a impressão de que determinado
canto é só pelo prazer de cantar e talvez até vos tivesse parecido mais um festival
do que uma expressão de oração. Este é um dos pontos sobre o qual o animador
/coordenador deve estar especialmente vigilante, para que o canto seja um instrumento
de oração e adoração e nunca vá contribuir para que a reunião se pareça com
uma vulgar festa de aldeia, o que facilmente poderia acontecer.
AMOR E CARINHO
Segundo o meu ponto de vista, há várias coisas que, numa reunião de oração,
mostram a presença e a acção do Espírito Santo, por exemplo, um clima de amor
e de carinho. À medida que os nossos grupos e assembleias crescem, deve tornar-se
evidente o amor e carinho que os irmãos e irmãs sentem uns pelos outros. É mesmo
necessário que se sinta. Quando exprimimos amor e ternura uns pelos outros,
constata-se sempre que as reuniões de oração progridem.
Lembro-me de algumas reuniões de oração onde também havia acolhimento à despedida.
Um ambiente destes, cheio de amor e afeição, é um verdadeiro sinal da acção
do Espírito Santo.
ALEGRIA
Outra coisa importante é a alegria. Frequentemente, nas assembleias de oração,
existe como que uma corrente interior de alegria que só espera por uma pequenina
oportunidade para extravasar. Este é mais um sinal de que a reunião de oração
atingiu o seu objectivo. Falo de uma alegria real, não sempre manifestada com
exuberância ou qualquer coisa do género, mas de uma alegria profunda que, como
uma fonte, borbota quando chega à superfície.
Esta alegria não exclui a seriedade, nem sequer deve exclui-la. A alegria é
um sinal da presença de Deus trabalhando nas pessoas e no grupo, uma alegria
real que se impregna em todo o ambiente do encontro e no tom da oração, favorecendo
as relações das pessoas entre si.
PAZ
Outra coisa importante é a paz. Durante as reuniões de oração, não devemos sentir
nem ansiedade, nem tensão. Os coordenadores podem ter a tentação de se perguntarem:
"O que é que eu vou fazer?"…"O que vamos fazer a estas horas?"…"O que vai acontecer
a seguir?"…"Será que isto estava bem?". Mesmo os coordenadores devem aprender
a contar com Deus. O encontro de oração deve fazer-se num ambiente de descon-tracção,
de repouso em Deus, de paz, e nunca em ambiente de aborrecimento ou de ansiedade.
Poderá até acontecer que haja uma forte tensão ou uma certa expectativa mas
temos que saber discernir por nós mesmos o que provoca no nosso espírito aquela
ansiedade, aquela inquietação ou aquela tensão que não deixam a nossa mente
concentrar-se em Deus, pois até pode ser o Espírito Santo a querer fazer-nos
sentir que necessitamos de uma intervenção divina.
Não nos inquietemos demasiado perguntando a nós mesmos se as coisas estão ou
não a correr bem, se isto ou aquilo seria melhor; temos muito mais necessidade
de paz do que de estar a pensar nessas coisas. O sinal de que o encontro de
oração está a decorrer bem é a sensação de paz e o repouso em Deus que sentem
todos os participantes que encontraram a sua tranquilidade na tranquilidade
de Deus.
Se durante a reunião acontecer qualquer coisa que pareça estranha ou que não
compreendamos, devemos esforçar-nos para estar receptivos ao Espírito, mas nunca
ansiosos ou inquietos. Se estivermos em trevas, sem compreender nada, confiemos
no Espírito Santo para tudo regularizar. Se da nossa parte fizermos o melhor
possível, esforçando-nos por cooperar com as inspirações que nos manda, tenhamos
a certeza de que Ele tirará o melhor partido daquilo que não compre-endermos.
Não temos que fazer mais nada do que repousar n'Ele, n'Ele pondo toda a confiança,
ficando em paz, evitando ficar ansiosos ou tentar tomar nas nossas próprias
mãos as rédeas de todas as coisas.
VIDA APOSTÓLICA
Há um outro aspecto dentro dos encontros de oração que me parece um sinal de
crescimento, de real presença do Espírito de Cristo, e que é a vida apostólica
das pessoas, que se manifesta nas assembleias de oração e também nos grupos
mais pequenos. É evidente que tantas pessoas apóstolos de Cristo e instrumentos
do Espírito Santo não podem deixar de levar outras pessoas a encontrarem Cristo
e a chegarem à plenitude do Espírito Santo.
Um bom sinal, e de coisa muito sã, é quando a assembleia, semana após semana,
se torna cada vez mais introspectiva (quando faz revisão no fim de cada reunião);
quando houver poucas manifestações de esquecimento de si próprio ou poucas partilhas
apostólicas sobre a mensagem cristã ou sobre a efusão do Espírito, então isto
vulgarmente é sinal de que qualquer coisa não vai bem e que temos necessidade
de ficar mais atentos ao trabalho apostólico.
O amor que temos uns pelos outros deve transparecer muito natural e esponta-neamente.
Era bom que começássemos a vê-lo reflectir-se muito naturalmente no crescimento
da reunião de oração e na partilha que as pessoas fazem da dimensão apostólica
das suas vidas fora das assembleias e dos grupos.
DONS ESPIRITUAIS
Um outro sinal muito real da presença e da acção do Espírito Santo nos encontros
de oração são os dons espirituais, exactamente quando actuam no âmbito duma
comunidade em adoração. Note-se que é raro que os dons espirituais se manifestem
numa reunião de oração se não se rezar para os obter e se as pessoas não estiverem
completamente abertas à sua acção desde todo o princípio. Quanto a mim, acho
que é preferível que o grupo ou a assembleia de oração seja explicitamente carismática
desde que começa. Caso contrário, é muito possível que se torne difícil vencer
a resistência aos dons espirituais à medida que o grupo vai crescendo. Se o
grupo começar com um pequeno número de pessoas abertas e esclarecidas sobre
os dons desde os primeiros encontros, é provável que haja menos problemas.
Algumas vezes os dons espirituais poderão manifestar-se de uma maneira que nos
poderá chocar, seja em profecias, em línguas ou na interpretação, por exemplo.
Se isto acontece e se nos impressiona, não será talvez somente porque é estranho;
é porque isso brota no seio de uma comunidade que ainda não está centrada em
Deus. É muito possível que uma assembleia vá mal encaminhada e que os dons espirituais
sejam empregues de um modo incor-recto caso não estejamos atentos em centrá-la
em Deus. Se o nosso principal objectivo for o de louvar e adorar a Deus e amá-l'O,
os dons espirituais manifestar-se-ão em beleza. Virão quando Deus o determinar
e serão fonte de santidade e de crescimento. Veremos que os dons espirituais
se tornarão um instrumento poderoso com os quais Deus se servirá para edificar
e tornar mais forte o grupo de oração (ou a assembleia) e cada um dos seus membros.
É importante que tomemos cons-ciência de que o Espírito Santo habita em nós
e que, por isso, ficamos aptos a manifestar todos os dons espirituais. Nunca
devíamos ter em mente uma ideia como esta: "Eu não tenho o dom da profecia.
Nunca poderei fazer uma profecia." Se alguém desejar orações de cura, nunca
lhe digais: "Eu não tenho o dom da cura, por isso não posso rezar por uma cura."
Jamais nos deveríamos fechar à acção que o Espírito pode exercer por nosso intermédio.
O Espírito Santo é a fonte e Quem põe em funcionamento todos os dons. Se vive
em nós, Deus pode levar-nos alguma vez a fazer uma profecia, por exemplo, mesmo
que isso antes nunca nos tenha acontecido. Mesmo que nunca tenhamos dado uma
mensagem em línguas, o Espírito poder começar a dar-nos a sua bênção e pres-sionar-nos
a dar uma mensagem em línguas. É, pois, importante que estejamos abertos à acção
do Espírito. Nunca fechemos o nosso espírito àquilo que Deus quer realizar em
nós, dizendo: "Certamente que isto não é para mim" ou então "Deus jamais faria
isto através de mim", Poderemos, se Ele o quiser. A chave está na nossa abertura
ao Espírito Santo.
CENTRALIZAÇÃO EM DEUS
Esta é outra chave para alcançar verdadeiro êxito numa reunião de oração e isto
implica muitas coisas. Em geral, as reuniões de oração não são discussões e,
em princípio, também não são uma troca de ideias. Poderá surgir uma discussão
numa assembleia de oração se se apresentar como forma de desenvolvimento de
algum tema, por exemplo. Poderá ser que determinada pessoa apresente um enunciado
sobre certo tema e, então, poderá acontecer que outra pessoa se sinta interpelada
pelo Espírito a dizer algo sobre esse assunto; ou poderá haver uma mensagem
em línguas ou uma profecia que venham reforçar o tema. Veremos, assim, construir-se
um tema graças à contribuição de várias pessoas e isto é muito diferente de
uma discussão.
A discussão pode ser uma ocasião de passar um tempo agradável, de termos o espírito
ocupado, de trocar ideias. Na vida dos cristãos há lugar, e um lugar muito importante,
para a discussão, sejam elas discussões teológicas, pastorais ou quaisquer outras,
mas elas não têm lugar num encontro de oração, onde poderiam perturbar a unidade
do Espírito e comprometer o ambiente da reunião. O que os coordenadores terão
que fazer quando surgir uma discussão num encontro (e a sensação da presença
de Deus desaparecer por causa disso) será interrompê-lo com qualquer coisa completamente
estranha ao assunto em questão: uma oração, um cântico ou qualquer outra coisa
do género.
Também pode acontecer que um encontro de oração se transforme numa espé-cie
de festival. Os encontros de oração são ocasiões para as irmãs e os irmãos se
encon-trarem no amor de Deus e de O procurarem para O encontrar. Há tempo para
cantigas populares e para discussões antes ou depois da reunião. Os encontros
ou reuniões de oração são qualquer coisa de muito especial e, mal nos desviamos
do caminho e esquecemos Deus, perderemos o que essas reuniões têm para nos dar.
A chave mais importante para o êxito das reuniões, em pequenos grupos ou em
grandes assembleias, é estarmos verdadeiramente centrados em Deus.
Jim Cavnar
(pioneiro da Universidade de Notre-Dame,
que veio a tornar-se coordenador de uma comunidade carismática americana)