O
grupo do Renovamento Carismático e os carismas
A finalidade dos nossos Grupos de Oração é proporcionar um local e um clima favorável, para que as pessoas que, pelo Renovamento, entraram EM renovamento, tenham um ambiente propício para caminharem em crescimento.
Fé
firme
Falando de grupos de renovação, poderíamos fazer uma imensa
lista: grupos de revisão de vida, grupos de oração, segundo
as mais variadas orientações e formas. Num grupo insiste-se na
oração litúrgica; noutro, na preparação de
um tema ou texto bíblico; noutro, no silêncio e na contemplação;
noutro, procura-se a acção concreta ou um compromisso determinado.
No grupo de oração de Renovação Carismática, a característica é uma Fé firme, isto é, uma fé que espera firmemente que Deus realizará o que prometeu. Muitos «CRENTES» não esperam ver realizadas as coisas em que dizem acreditar. Assim, as suas vidas e assembleias cristãs movem-se num nível de fé bastante deficiente.
Jesus prometeu aos seus discípulos, e neles a toda a Igreja, que o Espírito
Santo os guiaria na Verdade, os iluminaria em tudo quanto lhes disse (Jo 14,26)
que o Espírito viria sobre eles com tanta força e poder, para
que d'Ele dessem testemunho com valentia. Se o Espírito está,
pois, em cada Cristão, e deseja transformar-nos como indivíduos
e como Corpo, devemos reunir-nos, para juntos oferecermos ao PAI, o culto que
Ele espera de nós, em «ESPÍRITO E VERDADE» (Jo 4,
24).
O Espírito Santo e os carismas
Cremos que é o Espírito Santo quem nos congrega na Igreja, e que
esta Igreja Universal se manifesta, aqui e agora, neste grupo de crentes reunidos
em nome de Jesus (Mt 18,20). É o Espírito de Jesus que nos vai
formando mais e mais, no Corpo de Cristo, e realiza através dos Dons
Espirituais, os carismas. Se, pois, nos reunimos com esta convicção
profunda «NO ESPÍRITO», não poderemos experimentar
senão a acção do Espírito, formando, transformando
e unificando a comunidade Cristã.
Os carismas manifestam-se na assembleia
É precisamente através dos seus dons ou carismas que o Espírito
actua no grupo de oração. A reunião de oração
é o marco adequado para que se manifestem estes dons. S. Paulo insiste
no valor dos dons da Palavra, como a palavra de Sabedoria, a palavra de Conhecimento,
a Profecia na assembleia cristã (1Cor 12-14).
Todos os dons,
tanto os da Palavra, como os da Fé e os de Serviço à Comunidade,
procedem de um mesmo e único Espírito. «Segundo a nossa
maneira de ver e entender», disse K. Ranagham «os dons do Espírito
são acções de Jesus, o Senhor Ressuscitado entre nós,
que actua através dos membros do seu Corpo, abertos e dóceis às
inspirações do Espírito. São, pois, extensões
da actuação da palavra Viva de Deus no meio de nós, de
Jesus. E também assim é a proclamação da Escritura,
se bem que se pense não ter o mesmo valor.
Docilidade e disponibilidade
Portanto, nas reuniões de oração é muito importante
que todos em geral e cada um em particular participemos procurando o Senhor,
e estejamos atentos ao Espírito Santo, na assembleia onde acontece esta
Fé expectante na actuação do Senhor pelo Seu Espírito,
através dos seus dons espirituais ou Carismas; onde houver grande docilidade
e disponibilidade ao Espírito, dar-se-á a manifestação
de tais dons, na sua grande diversidade, segundo as necessidades da Comunidade.
«Quando vos reunirdes, cada um pode ter um salmo, um ensinamento, uma
revelação, um discurso em línguas, uma interpretação,
mas que tudo seja para edificar» (1Co 14, 26).
Variedade de dons
Os dons manifestam-se segundo as necessidades orgânicas da Igreja, da
Comunidade. Dom de dirigir a reunião, dom da profecia (1Cor 14, 3), dom
de ensinar, dom de discernir. Quando um grupo cresce e se vai transformando
em comunidade mais ampla, com um maior raio de influência, o número
de dons vai aumentando ou, melhor dizendo, os dons já existentes nos
membros da Comunidade vão-se manifestando: dons da palavra, dons da Fé,
dons de Serviço a todos os níveis. No Novo Testamento há
quatro listas de Carismas com menção explícita e idêntica
(1Cor 12, 4-10; 28-31; Rom 12, 6-8; 1Pe 4, 10). Há também 4 listas,
que não usaram idênticas menções, que nos dão
a mesma ideia: 1Cor 14,6-13; Ef 4,11 e Mc 16, 17-18.
Regra de ouro no uso dos carismas
Todos os carismas estão ao serviço do Amor, diz-nos S. Paulo (1Cor
13). «Ainda que eu fale as línguas dos homens e as dos Anjos, se
não tiver Caridade, sou como o bronze que ressoa, ou como o címbalo
que tine». Poderia ter um dos Carismas mais extraordinários, mas
se o Cristão não tiver Caridade, se não usar bem o seu
dom segundo a Lei do Amor, de nada serve. Porque o Espírito Santo é
o mesmo Amor do Pai e do Filho, e todas as suas actuações nos
membros do Corpo de Cristo, manifestarão a sua natureza. O Amor contribui,
une, dá a vida e vence o mal.
Os grupos de Oração que sabem apreciar e pedir com humildade,
mas também com Fé firme os dons espirituais, e os põem
ao serviço do Amor Fraterno, verão crescer a Comunidade e darão
testemunho com coragem e valentia de JESUS RESSUSCITADO.
(KOYNONIA)
M. Casanova, S. J.
in: Revista Pneuma nº 6-7