A Minha Cura





Assembleia do Renovamento Carismático, no Paulo VI, em Fátima

A primeira vez que fui a uma Assembleia em Fátima, fui com a minha mãe, porque estava a passar algumas dificuldades relativamente à escola e à saúde do meu filho. Esse ano foi o ano em que Maria de San Giovanni orientou e testemunhou acontecimentos da sua vida; e o tema das celebrações foi: “O Senhor nos chamou para sermos Santos”. Fiquei maravilhada, adorei estar a louvar Jesus e tudo o resto. Quando a noite chegou, chegou também a hora da Adoração ao Santíssimo Sacramento. Levei uma foto do meu filho para que Jesus o ajudasse e pu-la junto ao meu seio esquerdo. Quando Jesus estava a passar perto de mim, entreguei-o a Jesus, e, nesse instante, ouvi o sacerdote que estava no altar a dizer “Jesus toca o vosso coração como uma brasa que não queima”. Nesse momento, senti no meu seio esquerdo, somente na zona da foto do meu filho, um calorzinho: Jesus tocou o meu coração e o do meu filho. Isto encheu-me de uma alegria enorme. Senti que subi aos céus e lá permaneci umas três semanas.

Desde pequenina que me lembro de caminhar para a igreja com a minha mãe e de ser assídua nas responsabilidades cristãs; mas foi neste dia que tomei maior responsabilidade no meu caminho: “eu senti Jesus tocar-me”.

Se eu antes me entregava com confiança, a partir de agora tudo seria diferente, porque tinha sentido Jesus tocar-me. Comecei, desde os meus quinze anos, a sofrer com dores na coluna. Aos vinte e três anos dei à luz e amamentei o meu filho, até aos nove meses de idade. Também me custava imenso subir as escadas até ao terceiro andar, com ele ao colo, pois era nesse regresso a casa que sentia dores mais fortes. Aos 28 anos começaram as crises violentas. Não conseguia levantar-me, lavar-me, etc. Tinha que recorrer às urgências hospitalares para levar injecções para as dores; e tinha que fazer fisioterapia com frequência. As minhas crises eram constantes e, por isso, pensei recorrer a um médico particular para me mandar fazer os exames adequados e ser seguida com mais cuidado. O médico mandou-me, então, fazer uma TAC para melhor avaliar a minha situação. Quando fui mostrar o resultado da TAC, o médico informou-me de imediato que tinha duas hérnias: uma na cervical e outra na lombar. Acrescentou ainda que, para ter melhor qualidade de vida, tinha de me sujeitar a uma cirurgia. Nessa altura, fiquei muito transtornada. Pensei logo que não ia fazer uma cirurgia, assim tão delicada, sem mais nem menos.

Deixei passar alguns meses, e fui marcar uma consulta num outro médico para obter uma segunda opinião. Levei a TAC para ser analisada; mas, infelizmente a opinião do médico não foi diferente: as hérnias estavam lá e também continuava a ter de ser operada. O médico foi bastante atencioso comigo; e isso deu-me forças para lhe explicar que, como tinha vinte e oito anos, não estava preparada para ir para cirurgia, que sabia que não seria uma cirurgia fácil.

Compreendendo a minha situação, aconselhou-me a ter regras diárias (saber muito bem o que podia ou não fazer, não abusar dos pesos) e disse-me o que podia tomar quando começassem as dores. No entanto, pediu-me que fosse ter com ele quando realmente visse que não estava a ter uma boa qualidade de vida. Quando não cumpria as “regras das minhas limitações” sabia que estava a pisar um grande risco. Sinceramente não era nada fácil ser jovem e não conseguir fazer certos trabalhos como, por exemplo: varrer, sacudir tapetes, aspirar etc. Estava completamente limitada, tinha que pedir ajuda à minha mãe e aceitar as coisas como eram.

Passaram-se dez anos de algumas crises. Algumas delas surgiam pelo simples facto de não cumprir as “regras”. A última crise que tive foi na quarta-feira, cinco de Novembro de 2008. Pensei logo em marcar uma consulta de urgência para o meu ortopedista; mas, como não consegui, fui ao médico do meu pai. Trata-se de um médico que faz serviço no hospital: no entanto, também dá consultas particulares.

Apesar de ter muito boas referências dele, nunca tinha sido vista por ele. Consegui consulta para o dia seguinte, dia 6 de Novembro. Mais uma vez, levei os exames que tinha; e quando o médico olhou para a TAC perguntou-me se eu sabia o que tinha. Omiti e disse que sabia que tinha uma inflamação. A minha omissão tinha como objectivo ouvir o veredicto do médico e comparar com os anteriores. O médico sorriu e disse que não; que o que tinha eram duas hérnias: uma na cervical e outra na lombar. Acrescentou ainda que não me queria assustar mas que devia fazer uma ressonância o mais rapidamente possível porque se as hérnias tivessem aumentado um milímetro que fosse, iria para a cirurgia.

De imediato pensei que provavelmente deviam ter aumentado, visto que, desde há dois anos atrás que sentia as minhas mãos mais vezes dormentes. Conversei com o meu marido, contando-lhe o que o médico me tinha dito. O meu filho, já com quinze anos, ouviu e ficou assustado; acalmei-o, e acrescentei que, se tivesse de ser, seria, pois, estava nas mãos de Jesus.

No Sábado, dia 8 de Novembro 2008 bem cedo, fui com o meu filho, a minha irmã e a minha mãe para a Assembleia do Renovamento Carismático Católico. Os nossos maridos iam ter connosco à noite, para assistir à Adoração do Santíssimo Sacramento. Levava, no coração, um pedi-do forte para fazer a Jesus: libertar do mundo da droga o padrinho de baptismo do meu filho. Ele não aceitava o apoio dos pais, tinha saído de casa e ninguém sabia o seu paradeiro. Andava completamente perdido. Pediria também pela minha família, amigos e doentes. Da parte da manhã, na Assembleia, não me consegui concentrar, porque tinha combinado ir encontrar-me com o Sr. Padre Daniel, para lhe apresentar o meu filho. Tive de sair no meio da Eucaristia.

No entanto, percebi que o encontro com o Sr. Padre não era a razão da minha falta de concentração, já que, da parte da tarde, foi precisamente a mesma coisa. Não me encontrava na sala, estava distante. Nunca me tinha acontecido este tipo de situação, pelo contrário, ficava sempre contagiada. Foi então que pensei em sair da Assembleia e ir à missa, na basílica, com o meu filho e a minha mãe e irmã. Foi muito bom. Saí da missa envolta numa enorme paz.

Chegou a hora da Adoração do Santíssimo. Fiquei, entre o meu filho e meu marido. Quando o Santíssimo estava a passar bem perto de nós, a voz do Sr. Padre que falava do altar dizia: “se vós quereis ficar curados peçam que Jesus vos cure”. Nessa altura, o meu filho passou a mão pelas minhas costas, e eu pedi a Jesus que curasse a minha coluna. Nesse preciso instante, senti um calorzinho que me percorreu toda a coluna.

A minha cabeça estava repleta de interrogações; mas, permaneci em silêncio. Nada contei à minha própria família. Todos os dias conversava imenso com Jesus e pedia-lhe que houvesse uma luzinha para eu perceber o que tinha acontecido comigo.

Na segunda-feira, fui fazer a ressonância. Durante a viagem, resolvi perguntar à minha mãe o que pensava quanto ao resultado. Ela respondeu-me para não me preocupar porque, se Deus quisesse, não havia de ser nada. Sorri-lhe e acabei por contar o que me tinha acontecido em Fátima. O meu exame ficaria pronto no dia 13 de Novembro.

Dias depois, quando estava a rezar o terço, o Sr. Padre comentou que, no dia seguinte, dia 13, o terço seria rezado a favor das crianças; foi aí que me lembrei do exame. O meu coração bateu forte, mas senti a protecção de Maria. Cada vez estava mais confiante.

À noite chegou o meu marido; e, sempre que chega do trabalho, temos por hábito conversar sobre o nosso dia. Lembrei-o então de que, no dia seguinte, a ressonância estaria pronta; e perguntei-lhe o que pensava quanto ao resultado. Ele disse-me que não sabia, que não pensasse nisso; e devolveu-me a pergunta. Eu sorri e disse-lhe que estava curada, que, em Fátima, tinha sentido que Jesus me curara. Teve um sorriso e mudou de assunto.

Quinta-feira de manhã fiz a minha oração: pedi a Jesus a Palavra e abri a minha Bíblia. Apontei com o dedo e li a resposta, que me era apresentada como resultado do jejum agradável a Deus (Is 58,6-7): “Então, a tua luz surgirá como aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se” (Is 58,8). “O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas inesgotáveis” (Is 58,11).

Foi ao ler estes dois versículos que fiquei com a certeza absoluta que estava curada!

Fui buscar o resultado da ressonância e, no mesmo dia, fui mostrá-lo ao médico. Este observou atentamente todos os documentos e percebi que estava confuso. Começou por me fazer perguntas. Queria saber onde é que eu costumava ter dores, como eram, etc. Examinava com muita atenção as diversas películas da ressonância e releu algumas vezes o relatório que acompanhava o exame. Enquanto observava o médico, o meu coração pulava de alegria. Arranjei coragem para lhe perguntar o que se passava. Incrédulo, olhou para mim e comentou que as hérnias não tinham querido aparecer na ressonância, e que estava muito feliz por mim, já que, tinha pensado que iria mesmo fazer a cirurgia.

Acrescentou ainda que se pedisse a alguém sem problemas ao nível dos ossos para fazer uma ressonância, esta não viria tão boa quanto a minha.

Glória a Deus!

Fernanda Oliveira

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