TESTEMUNHO DE CURA
Venho desta forma dar testemunho das maravilhas de Cristo vivo. É o mínimo que posso fazer.
O meu contacto com este "movimento" da Igreja Católica iniciou-se há relativamente pouco tempo. Comecei a frequentar o meu Grupo de Oração, no fim de Setembro de 2004, atraída pelas homilias e reflexões do padre Jorge Ramos e a convite de uma familiar que à minha pergunta "Carismáticos: o que é isso?" respondeu: "Anda e verás como é."
Fui ao Grupo de Oração e não mais deixei de sentir uma espécie de "mão invisível" que me empurra para um conhecimento mais profundo do meu Senhor. Um floco de neve que não pára de aumentar de volume.
A 8 de Outubro (dois dias antes do início do Ano da Eucaristia) inscrevi-me, com minha mãe (que me acompanha desde o início desta caminhada), nas duas Assembleias comemorativas do 30º aniversário do RCC em Portugal a realizar em Fátima. Por diversas razões, fomos à Assembleia de 6 de Novembro apenas até à hora de jantar. Ainda que possa parecer desperdício, não o foi. Estava encantada com algumas palavras bíblicas para as quais fui despertadas por Maria de Sangiovanni e Margarida Taveras: "Deus nos chamou para sermos santos" (Ef. 1,4) e "Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (Jo. 3, 3)
Foi, de facto, um encontro de grande espiritualidade: a paz e a felicidade me inundavam, transbordando. A Adoração Eucaristica foi o momento mais alto. Desejava muito estar no meu lugar quando o meu Senhor passasse.
Pouco depois iniciaram-se uma sucessão de manifestações de curas. Fiquei indignada com aquilo a que considerava um embuste. "Estragaram tudo."_ pensava eu, questionando: "Meu Deus, como é possível brincar com coisas tão sérias e em Teu nome?" Sentia-me envergonhada por estar ali e prometia então a mim mesma desligar-me do Renovamento Carismático. Até que Maria de Sangiovanni disse estar presente uma mulher que há muitos anos não ouvia do ouvido esquerdo e que agora passou a ouvir. Minha mãe olha-me e diz: "és tu". Respondi-lhe: "Como posso saber?! Só se me falares ao ouvido." Ela falou. Eu ouvi. Pedi-lhe que falasse mais baixo. Ouvi. Pedi-lhe que falasse muito baixinho. Ouvi. Recordo-me que Maria de Sangiovanni repetiu várias vezes esta cura. Mas, não fui capaz de a manifestar. Era grande a confusão na minha mente: uma espécie de curto-circuito!
Ainda que rendida às evidências, queria uma explicação médica.
Na verdade, tenho na face esquerda a cicatriz de um angioma queimado quando tinha dois meses de idade. Na altura, o médico advertiu a minha mãe que o ouvido esquerdo ficaria destruído para me poupar a vista que estava igualmente próxima do angioma. Não ficou destruído de todo. Mais tarde, um médico especialista, ao observar alguns exames que eu havia feito, suspeitou (penso hoje que sem fundamento) de algo muito grave no ouvido direito e alertou-me para a possibilidade de perder a audição total com uma gravidez. Rapidamente entreguei o meu caso a um outro médico que prometeu a recuperação do ouvido esquerdo. Fui operada (com transplante de ossículos) em Setembro de 1997. Para o médico, a operação foi um êxito. Para mim, um desastre! Além de continuar a não ouvir como as outras pessoas (tinha de, por exemplo: olhar para os movimentos da boca; construir mentalmente frases com algumas palavras como quem junta as peças de um puzzle), fiquei extraordinariamente sensível aos ruídos e aos sons agudos que me perfuravam o cérebro! Minha filha não tem brinquedos (ou estão sem pilhas) com sons por me perturbarem. Meus pais queriam que eu fosse vista por médicos na Alemanha. Mas eu, incrédula, não queria voltar a ser enganada! Eis agora que o meu Senhor me cura com a Sua infinita bondade. E sem que eu lhe tenha pedido tal cura.
Procurei o médico que me operou, contando-lhe o que entretanto se passara. Fiz novos exames. Resultado: em média tenho sensivelmente a mesma percentagem de audição. Mas, isto em termos puramente numéricos, pois, a diferença substancial é apresentada em gráfico: há uma boa perfomance do ouvido esquerdo às frequências graves e uma perda acentuada nas frequências agudas. Traduzindo: passei a ouvir normalmente e perdi sensibilidade aos sons estridentes. Que maravilha!... Não mais precisarei de dizer aos meus alunos: "Desculpe, não ouvi. Não se importa de repetir."
Porém, à minha pergunta "Há explicação científica?", o médico que me operou respondeu: "Não sei, nem tenho explicação, mas não acredito em milagres." Bateu-me nas costas e convidou-me a voltar à consulta no ano seguinte para novos exames. Procurei entretanto outro médico. Desta vez num hospital. Confirmaram-se os mesmos resultados dos exames.
Não posso condenar, nem sequer criticar o médico que me operou. Apenas lamento.
Cerca de 3 meses depois, a 5 de Fevereiro de 2005, eu e minha mãe fizemos a Efusão do Espírito. Esta é uma caminhada que não pode parar, nem recuar. Acredito na força do louvor a Deus que se torna poderosa quando aliada ao arrependimento e ao perdão sinceros. Acredito, hoje mais do que nunca, no que Jesus prometeu: "Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos" (Mt 28,20).
S.C.