Posso rezar consigo?
Testemunho interpelante de um teólogo
O autor (deste testemunho) pode apontar que também a ele foi comunicada, através de outros e dum modo pessoal, a disponibilidade para a Renovação no Espírito Santo. Para expressar isso em poucas palavras:
Um
dia visitou-me um sacerdote e começou uma das conversações
habituais sobre questões teológicas. Depois de cerca duma hora
disse ele muito de repente: “Posso agora rezar juntamente consigo?”
Como professor de teologia a gente não está pura e simplesmente
habituado a isso de rezar com alguém com quem se teve uma conversação
teológica. A princípio senti um tal convite como uma impertinência.
Senti-me atropelado e extraordinariamente inseguro. Mal podia responder com
um “não” a uma pergunta amiga e amável e este irmão
rezou então comigo, adorando a Deus, louvando e glorificando, dum modo
tão pessoal como eu nunca tinha ouvido. Nesta oração havia
força e fé e sobretudo a consciência da presença
real de Deus entre nós. Como cientista a gente assusta-se perante uma
tal proximidade de Deus, pois estamos habituados a proteger-nos de Deus com
muitas ideias e noções teológicas. A teologia científica
não conduz sem mais nada à decisão por Cristo, à
entrega a Deus! Após este primeiro encontro com uma irrupção
espiritual mundial, começou um tempo de reflexão crítica
em que também se esclareceram os motivos históricos de fazer um
tabú da emoção de fé. O fazer da fé algo
privado mesmo no seio da Igreja é também uma razão para
a incapacidade duma transmissão pessoal da fé e motivo de fraqueza
das igrejas na sociedade contemporânea. Por isso o autor conhece por experiência
própria a resistência interior, o sentimento inicial de tormento,
quando se é confrontado com o testemunho pessoal de fé de outros.
As experiências citadas nesta “Exercitação”
não provêm contudo dum grupo pequeno, sectário, mas mostram
uma irrupção mundialmente propagada. Perante ela pode dizer-se:
“Não desprezeis as profecias! Examinai tudo e consevai o que é
bom!” (1 Tess 5,20 seg.)
(Testemunho pessoal do teólogo alemão Heribert Muhlen na introdução do seu livro – 1º volume – Exercitação na Experiência Fundamental do Cristianismo. Tradução de Manuel Ribeiro Alves – Edições Sampedro)