A Bíblia, Palavra de Deus
Construir a muralha da verdade
Neemias 2, 18: "Ao mesmo tempo, contei-lhes como a bondosa mão de Deus me favorecera e narrei-lhes todas as palavras que me dissera o rei. Gritaram todos: «Ergamo-nos e reconstruamo-la!» Com isto, cobraram ânimo e puseram-se a executar esta obra."
As muralhas da verdade reflectem a verdadeira imagem e natureza de Deus. À medida
que edificamos a nossa vida tendo por autoridade Deus, por pedra angular Jesus
Cristo e por prumo divino: a Palavra e o Espírito Santo, vemos que somos cheios
de fontes de salvação que nos transbordam até jorrarem rios de água viva que
dão de beber a outros. Assim além de sermos fortalecidos e abençoados, e receber-mos
a nossa herança espiritual em plenitude, somos também usados por Deus para revelar
ao mundo a glória da sua imagem pela realização em nós dos seus propósitos.
A Palavra de Deus diz em 2 Crónicas 16, 9: "Os olhos do Senhor percorrem toda
a terra para fortalecer aqueles cujo coração lhe é totalmente fiel."
Somos muitas vezes enganados pelo inimigo que nos leva a erguer no nosso coração
paredes frágeis e instáveis. Essas paredes da rejeição e da revolta edificadas
pelos falsos prumos humanos têm de ser derrubadas de modo a serem construídas
muralhas firmes e resistentes, alinhadas pelo prumo divino. Para que essas paredes
sejam derrubadas temos de nos arrepender do orgulho e da incredulidade, e removê-los
da nossa vida.
Isaías 28, 16-17 Deus especifica que tipo de muralha pretende levantar em nós
é este: "Por isso, assim fala o Senhor Deus: Vou colocar em Sião uma pedra que
vos ponha à prova. Será uma pedra preciosa, angular, bem firme. Aquele que confiar
nela não tropeçará. Usarei o direito como cordel de medir e a justiça como nível."
O Pecado da Incredulidade
A incredulidade nasceu no jardim do Éden, quando satanás utilizou essa forma
de engano para seduzir Eva, levando-a a duvidar de Deus. E até aos dias de hoje
a incredulidade é insidiosa; é um pecado básico, uma pedra de tropeço para muitos
crentes levando-os a assentar sobre ela paredes da rejeição (construídas com
os tijolos das praticas e atitudes negativas: tristeza, auto compaixão, auto
depreciação, depressão, apatia, complexo de inferioridade, insegurança, sentido
de inaptidão, sentimento de culpa, desinteresse pela vida, agonia, desespero).
Aos olhos de Deus o pecado da incredulidade é tão grave que toda uma geração
de israelitas foi considerada indigna de entrar na terra prometida, que seria
sua por herança. Ver hebreus 3, 16-19. Apenas Josué e Calebe creram, todos os
outros que duvidaram do poder de Deus morreram no deserto. Também hoje muitos
crentes deixam de receber a sua herança espiritual e a cura física pela mesma
razão: a incredulidade. A vida destes crentes é uma verdadeira peregrinação
pelo deserto, vêem-se constantemente importunados por dúvidas, desconfianças,
desânimo, auto rejeição e auto compaixão; incapazes de atingir as suas metas,
realizar os seus sonhos e desejos, encontram-se perdidos no deserto da desilusão
e da dúvida.
Para derrubar a parede da rejeição temos de ser mansos e humildes à Palavra
de Deus, que é a Sua vontade, e nunca pormos em causa a sua eficácia na nossa
vida. Se duvidarmos da Palavra de Deus em favor da palavra do homem (quer seja
a nossa ou a de outra pessoa), somos vistos por Deus como o filho (a) Adão (Eva)
que desobedece à Palavra do Pai e então assumimos as consequências dos nossos
actos.
O Pecado da Revolta
Quando uma pessoa opta pela revolta constrói uma parede fundamentada no pecado
da soberba ou orgulho; esta atitude reflecte o não querermos ser vistos como
realmente so-mos e de não mostrarmos como não somos. Deus diz que: resiste ao
soberbo (1 Pedro 5, 5) e chegará o dia em que o abaterá (Isaías 2, 12). Algumas
pessoas dizem que Deus está contra elas, e que Ele lhes levanta resistência,
na verdade, Deus resiste sim ao orgulho que têm no seu coração.
Para derrubar a parede da revolta temos de adoptar uma atitude de humildade.
A humildade é a disposição de deixar que os outros vejam como somos, sejam quais
forem as consequências. É ela a chave que abre as portas para a graça de Deus
operar livremente nas nossas vidas (1 Pedro 5, 5-6). Ter humildade é levar uma
vida transparente diante da Luz e da Verdade, que têm o poder para nos libertar.
A Humildade
A humildade é uma virtude do amor, um fruto do amor (Gálatas 5, 22). Se dissermos
que amamos a Deus, mas não amarmos o nosso próximo "como pode permanecer em
nós o amor de Deus?" (1 João 3, 17).
A palavra grega traduzida por humildade é "tapeinos", que significa "de espírito
prostrado, rebaixado". Ninguém gosta de se rebaixar, mas para sermos humildes
temos de aceitar a ideia de nos rebaixar. Quem é que goza da presença de Deus?
Diz o salmo 51, 17 que é aquele que tem um "coração quebrantado e contrito".
São esses que habitam com Deus num alto e santo lugar, pois é exactamente quando
nos rebaixamos que Deus nos exalta.
A atitude de quebrantamento diante de Deus em relação à pecanimosidade do nosso
coração é o primeiro passo no processo do arrependimento e é note-se um processo
contínuo. Temos de buscar o Senhor numa atitude de humildade, arrependidos da
nossa incredulidade e do nosso orgulho e dos frutos provocados por esses pecados.
Depois, à medida, que formos abrindo o coração, Deus operará um milagre extraordinário:
"dar-lhes-ei um coração novo e infundirei no seu íntimo um espírito novo. Arrancarei
do seu corpo o coração de pedra e dar-lhes-ei um coração de carne" (Ezequiel
11, 19).
O Arrependimento
O primeiro passo para o arrependimento está directamente relacionado com a Cruz.
Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz,
dia após dia, e siga-me." (Lucas 9, 23)
Este apelo divino tem de ser aplicado à nossa vida, Jesus exorta-nos a pregar
na cruz o pecado original da queda de Adão e Eva: o da incredulidade e o do
orgulho. Depois, tomamos como válida a declaração divina sobre o nosso verdadeiro
valor: filhos de Deus muito amados, e, pela fé, apropriam o propósito de Deus:
sermos amados e amarmos. E por fim, passamos a aplicar esta verdade na prática.
Tiago escreveu que "a fé sem obras é morta" (2, 20), ou seja, a aceitação mental
da Palavra de Deus, a Verdade, sem a aplicação diária na vida prática não vale
de nada! Esta operação da fé é muito importante, pois transfere-nos do prumo
da rejeição para a auto aceitação e sentido de valor próprio, que estão alinhados
pelo prumo de Deus.
Se o fundamento da nossa parede é o orgulho, a humildade e a confissão abrem-nos
as portas para a luz do arrependimento e da confissão, cortando pela raiz o
seu domínio sobre nós.
O segundo passo para o arrependimento é o perdão. A libertação pelo perdão é
essencial para nos apropriarmos do amor de Deus. Ao perdoarmos, libertamos e
libertamo-nos, este é um facto que muitas pessoas ainda não perceberam. Ao não
perdoarem são elas que ficam presas nos laços da amargura e do ressentimento,
essenciais para os sentimentos e atitudes negativos de rejeição e revolta. Ao
perdoarem, é a sua liberdade interior que é ganha, ao não perdoarem é a sua
liberdade interior que é perdida. Ao regatearem o perdão aos outros é a sua
liberdade que está em causa.
Derrotar o inimigo
O nosso maior adversário na obra de reconstrução das muralhas da verdade é satanás.
Neemias foi chamado por Deus para reconstruir os muros de Jerusalém e tal como
nós teve de enfrentar as astúcias do inimigo; olhando para o seu exemplo de
vida nós podemos identificar várias estratégias satânicas e do contra-ataque
de Neemias aprendemos não só a identificá-las, mas também a lidar com elas.
A raiva e o medo
Em Neemias 4, 1-7 ficamos a saber que satanás utilizou 3 homens: Sambalá, Gesém
e Tobias para o intimidar com ameaças e intimidações. Esta é uma das tácticas
preferidas de satanás: o medo. Contudo, Neemias não se deixou demover e aplicou
na sua vida a Palavra de Deus que diz: "O medo do homem é uma cilada, mas quem
confia no Senhor está em segurança." (Provérbios 29, 25)
Também connosco satanás utiliza os seus agentes para nos intimidar provocando
circunstâncias adversas, oportunidades excelentes para a eficácia da sua táctica.
O gozo
Os adversários de Neemias gozaram-no e atormentaram-no; acusaram-no de desobediência
ao rei (Neemias 2, 19) pretendendo afectar a sua autoridade, gozaram com o seu
esforço, depreciaram a habilidade e a capacidade do povo. Connosco hoje não
é diferente - a táctica é a mesma. O objectivo é instilar a incredulidade no
nosso coração, de forma a frustrar a realização da Palavra e do propósito de
Deus.
Confusão e mentiras
Em Neemias 4, 8 lemos que os seus adversários se uniram aos povos vizinhos para
lançar confusão e mentiras sobre os construtores judeus; em 6, 14 até uma falsa
profetisa Noadia espalhou falsas profecias para o intimidar. Também hoje os
falsos profetas podem ser os mais diversos e perigosamente destrutivos: os conjugues,
os pais, um irmão da igreja…por vezes sentimos na pele o que Job deve ter sentido
quando no pior momento da vida dele a própria esposa lhe disse, Job 2, 9: "Amaldiçoa
a Deus e morre de uma vez!"
Os falsos amigos
Outra estratégia do inimigo é utilizar "falsas amizades" feitas com imensa facilidade,
e que com a mesma facilidade nos traem. O sacerdote Eliasibe aproveitando a
ausência de Neemias colocou Tobias, um dos inimigos, dentro do templo (Neemias
13, 4-9). Também hoje satanás aproveita a nossa ligação com o mundo para estabelecer
uma base de acção no nosso coração. Claro que Neemias imediatamente pôs Tobias
na rua e retomou o espaço do templo; é um exemplo para nós: retomarmos todo
o espaço do nosso coração para Jesus e só para Ele.
O contra-ataque: a resposta de Neemias
O primeiro passo para anular um ataque satânico é reconhecer como e por quem
é perpetuado. O segundo é confessar, no nosso coração e por palavras, o nosso
senhorio em Jesus Cristo. O terceiro é quebrar firme e perseverantemente todas
as acções utilizando tácticas de contra-ataque, tais como as que a seguir se
enumeram.
1) Esperar em Deus
Desde o primeiro momento que Neemias percebeu o que se passava em Jerusalém
imediatamente buscou a Deus em jejum e oração, Neemias 1, 4 e 4, 9. Buscar imediatamente
o Senhor é uma acção prioritária, seja qual for a situação.
2) Ficar firme no temor do Senhor: obedecer
Neemias não temeu os homens, mas ficou firme na vontade de Deus "O temor do
Senhor é o princípio da sabedoria. Os insensatos desprezam o saber e a instrução."
(Provérbios 1, 7) Quem se deixa intimidar pelo temor dos homens no fundo é porque
acredita que aquilo ou aquele que teme é maior e mais poderoso do que Deus.
3) Seguir em frente com o propósito de Deus
Nada deteve Neemias: a intimidação, o gozo, a agitação, a mentira, a ameaça
de guerra; ele colocou tudo nas mãos de Deus e seguiu em frente com o seu propósito:
reconstruir as muralhas de Jerusalém.
4) Vigiar as acções do inimigo: estar atento
Num esforço conjunto, metade dos homens que trabalhavam com Neemias vigiavam
o inimigo e a outra metade construía o muro, Neemias 4, 9-17. Também nós temos
de estar preparados e vigilantes para combater e trabalhar ao mesmo tempo, o
inimigo está sempre alerta e nada o detém no objectivo de impedir que Deus edifique
a sua igreja, seja como um leão (tentação pelo pecado) ou como um anjo de luz
(tentação pelo falso profeta) a sua intenção é sempre a mesma! Jesus disse em
Mateus 26, 41: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está
pronto, mas a carne é débil."
5) Não negociar com o inimigo!
Afastarmo-nos da influência do mal é uma táctica muito importante, aqueles que
se expõem a uma convivência desnecessária com o mal ou as suas influências correm
um sério risco. Está escrito em Eclesiastes 3, 5: "tempo para abraçar e tempo
para evitar o abraço", é no poder do Espírito que discernimos qual a reacção
correcta a tomar perante cada circunstância.
6) Combater
Temos de ter consciência de um facto muito importante e real: estamos em guerra!
Tal como foi com Neemias, hoje o inimigo é o mesmo: deseja derrotar-nos e só
nos dará tréguas se aceitarmos os seus termos. Paulo escreveu a Timóteo (2 Tm
2, 4-3): "Compartilha as dificuldades, como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum
soldado em campanha se deixa enredar pelos afazeres da vida, se quer agradar
àquele que o alistou." Temos de vestir a armadura de Deus e combatermos, Efésios
6, 11-18: "Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos
manterdes de pé contra as maquinações do diabo. Porque não é contra os seres
humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores
deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus …Mantende-vos,
portanto, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça
da justiça e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz;
acima de tudo, tomai o escudo da fé, com o qual tereis a capacidade de apagar
todas as setas incendiadas do maligno. Recebei ainda o capacete da salvação
e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Servindo-vos de toda a espécie
de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito; e, para isso, vigiai
com toda a perseverança e com preces…"
Conclusão
Quando persistimos em edificar as muralhas da verdade nos nossos corações em
linha com a Palavra e a vontade de Deus, vamos crescendo em comunhão e em intimidade
com o nosso Deus, vivendo segundo o propósito a que Ele nos chama: edificar
a Sua igreja. Não é possível cumprir este chamamento de Deus sem edificarmos,
primeiro, em nós as muralhas da verdade. Porque só assim agradamos a Deus! Precisamente
porque servimos só a Deus.
Lucas 6, 46-48: "Porque me chamais 'Senhor, Senhor', e não fazeis o que Eu digo?
Vou mostrar-vos a quem é semelhante a todo aquele que vem ter comigo, escuta
as minhas palavras e as põe em prática. É semelhante a um homem que edificou
uma casa: cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio
uma inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa mas
não a abalou, por ter sido bem edificada."
Ana Paula Barata
Bibliografia: Barber, Neemias