A Bíblia, Palavra de Deus





(continuação)

Imitar a mente de Cristo

"Vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor…" (1 Tessalonicenses 1,6)

Para imitar Cristo temos de pensar como Cristo, o que é vital para podermos responder ao chamamento de Deus e ao desafio que Ele nos propõe de glorificação do Seu nome.

A igreja é desafiada para o entendimento sobre "quem é" e "o que" Deus pretende dela.

Lucas 10,25: "E eis que um certo doutor da lei se levantou e disse para experimentá-lo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Ele disse: Que está escrito na lei? Como lês? Ele, então, respondeu: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe (Jesus): Respondeste correctamente; faz isso, e viverás."

(1) Meditar na Palavra de Deus dá-nos força e coragem para obedecer ao seu chamamento, num mundo que não o reconhece e se lhe opõe.

Josué 1,8: "Que o livro desta lei esteja sempre nos teus lábios: medita nele, dia e noite, para que tenhas o cuidado de agir de acordo com tudo que está escrito nele. Assim serás bem sucedido nas tuas realizações e alcançarás êxito."

Romanos 12,1-2: "Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereceis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom agradável e perfeito."

(2) Meditar na Palavra de Deus faz crescer o nosso entendimento de Cristo.

1 Coríntios 2,16: "Pois quem conheceu o pensamento do Senhor, para poder instruí-lo? Nós porém temos o pensamento de Cristo."

Filipenses 2:5: "Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus..."

Não é por sermos crentes que ficamos protegidos das mensagens de tentação da nossa sociedade, nem tão pouco, estamos imunes ao intoxicante desprezo que nos rodeia. Provavelmente, até conseguiremos resistir a essas pressões bem mais do que pensamos. Até, porque senão resistíssemos, seria fácil a um espírito do mundo, entrar nos nossos seres.

Jesus disse-nos para sermos o sal e a luz do mundo (Mateus 5,13-16). Mas o sal pode perder o seu sabor, e a luz pode diminuir de intensidade. É possível que experimentemos uma perda do poder espiritual, porque não nos deixamos guiar pelo Espírito Santo de forma continuada, diariamente, mas somente aos solavancos. Assim, não é de admirar que percamos alguma salinidade e luminosidade. Não conseguimos mudar o mundo, porque nos mantemos demasiado parecidos com o mundo!

As nossas mentes têm um papel preponderante na nossa vida como cristãos. E é nas nossas mentes que se passam algumas das batalhas espirituais mais terríveis e determinantes, para uma comunhão efectiva com Deus. É de notar as seguintes passagens, que dizem respeito às nossas responsabilidades no mundo como crentes em Cristo Jesus:

Filipenses 1,27: "Somente vivei vida digna do evangelho de Cristo, para que… ouça dizer de vós que estais num só espírito, lutando junto com uma só alma, pela fé do evangelho, e que em nada vos deixais atemorizar pelos vossos adversários..."

"Num mesmo espírito" significa ter a mente de Cristo trabalhar em unidade de propósito, de objectivos, promovendo o Evangelho de Cristo e agindo no mundo com o amor de Cristo.

1 Pedro 1,13: "Por isso, com prontidão de espírito, sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será trazida por ocasião da Revelação de Jesus Cristo."

Noutras palavras, não devemos permitir que o padrão velho e as tentações do mundo nos empurrem para a vida antiga, a que era dominada pelos valores errados.
Ambas as passagens centram o nosso pensamento "no que" e "no como" pensar, porque precisamente isso é determinante para o nosso agir na comunhão com Deus.
Hoje em dia, os cristãos enfrentam um problema considerável à comunhão com Deus: recebem demasiada informação do mundo e muito pouca das várias fontes bíblicas. Cerca de 90% da informação que recebemos nas nossas mentes é baseada em critérios antiéticos do ponto de vista cristão. Uma forma de contrariar este facto, é passar mais tempo em encontros genuínos, de companheirismo com outros crentes e esforçarmo-nos por mais e cada vez melhores experiências na nossa vida devocional.

Josué 1,1-9, é uma passagem que se relaciona directamente com o desenvolvimento e a renovação da nossa mente em Cristo, tendo por base a firmeza (fé) e a coragem necessárias para responder ao chamamento e ao desafio que Deus opera nas nossas vidas.

Nos versos 1-5 lemos sobre o chamamento e a comissão que Deus fez a Josué. E é exactamente o mesmo que Deus faz a todos os cristãos, somos chamados a sermos como Josué, em nos envolvermos no chamamento de outros e na sua liderança para as riquezas de Cristo.

Josué 1,1-5: "...o Senhor falou a Josué, filho de Nun, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, morreu; agora, levanta-te! Atravessa este Jordão, tu e todo este povo, para a terra que dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que a planta dos vossos pés pisar eu vo-lo dou, como disse a Moisés... Ninguém te poderá resistir durante toda a tua vida; assim, como estive com Moisés, estarei contigo: jamais te abandonarei, nem te desampararei."

Nos versos 6-9 lemos sobre o desafio de Deus para a firmeza e a coragem, para a aceitação do chamamento com sucesso: "Sê firme e corajoso; porque tu farás a este povo herdar a terra que a seus pais jurei dar-lhes. Tão-somente sê de facto firme e corajoso, para teres o cuidado de agir segundo toda a lei que te ordenou Moisés, meu servo. Não te apartes dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que triunfes em todas as tuas realizações. Que o livro desta lei esteja sempre nos teus lábios: medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de agir de acordo com o que está escrito nele. Assim, serás bem sucedido nas tuas realizações e alcançarás êxito. Não te ordenei: sê firme e corajoso? Não temas e não te apavores, porque Iahweh teu Deus está contido por onde queres que andes."

Nesta passagem concluímos que a firmeza e a coragem, resultam necessariamente de quatro pontos:

(1) Compreender a Palavra de Deus - a Sua vontade e o Seu chamamento (1,1-2).

(2) Acreditar nas promessas da Palavra de Deus (1,2b-6).

(3) Renovar a nossa mente (entendimento) nos princípios da Palavra de Deus (1,7-8).

(4) Reconhecer a presença da Pessoa de Deus (1,9).

O ponto essencial é o facto de a revelação divina se fazer numa contínua comunicação e comunhão, diárias, com o Deus Vivo.

É de notar que cada um destes versos lida com duas situações: a revelação de Deus e a resposta de Josué.

Nos versos 1-5 o chamamento baseia-se na revelação de Deus - a Sua Palavra.

No verso 6 o chamamento para a coragem assenta na promessa de Deus - a Sua Palavra.

Nos versos 7-8 o chamamento para a coragem assenta na necessidade do conhecimento da Lei de Moisés - a Sua Palavra.

No verso 9 o chamamento para a coragem assenta no facto de Deus ter falado a Josué - a Sua Palavra.

Qual é o ensinamento? O sucesso na obediência ao chamamento de Deus depende de ouvir, conhecer e obedecer a Palavra de Deus, mas nos versos 7-8 está a chave para a capacidade de Josué responder com sucesso, e nós também!

vs. 6, "Sê firme e corajoso"

vs. 9, "Sê firme e corajoso"

vss. 7-8, "Tão somente sê de facto firme e corajoso", reforçando a necessidade de Josué ter de se manter fiel à Palavra de Deus

O verso 7 reflecte uma exortação mais forte porque realça a maior prioridade e o maior perigo:

- É prioritário: ter uma comunhão diária com a Palavra de Deus.

- O maior perigo: o nosso insucesso na meditação da Sua Palavra e no vivê-la.

Para terminar tomemos em conta um estudo de saúde mental e maturidade, feito entre jovens seminaristas nos Estados Unidos, realizado por Paul Meier, concluindo os seguintes pontos:

1. Mesmo sabendo que crer em Jesus é suficiente para termos a vida eterna, experimentar a vida em abundância, tal como Cristo a prometeu (João 10,10) e viver os frutos do Espírito (amor, alegria, paz) em vez de amargura, depressão e ansiedade, estão dependentes da renovação da mente.

2. A renovação da mente é possível através de várias fontes: o Espírito Santo (o Conselheiro por excelência), leitura e meditação diária da Palavra, o perdão dos outros, a caridade cristã.

3. A renovação da mente é um processo contínuo, uma santificação progressiva que exige uma continuada, diária, comunhão com a Palavra de Deus.

4. A meditação diária das Escrituras acompanhada da necessária aplicação à vida pessoal é a forma mais eficiente e eficaz de se obter a alegria pessoal (contentamento interior), a paz e a maturidade emocional.

5. Em média são necessários cerca de 3 anos de meditação diária das Escrituras para que os padrões e os comportamentos e o modo de pensar do crente se modifiquem o suficiente para produzir uma saúde mental e uma felicidade estatisticamente superiores. (33)


Conclusão

Sem uma meditação nas Escrituras os crentes podem cair na religiosidade vazia, porque precisamente tudo fica na mesma nas suas vidas. Deus não nos chama para a conformidade nem tão pouco para um conjunto de normas morais, padrões e acções de serviço. Ele chama-nos para uma relação sincera, de coração, com Ele, através de Jesus Cristo, através da Sua Palavra e do poder do Espírito Santo. Isto significa necessariamente uma mudança nas nossas vidas de dentro para fora, mudanças essas de: valores, fontes de confiança, objectivos de vida, e da maneira como vivemos.


(33) Paul D. Meier, Renewing Your Mind in a Secular World, Chapter 2, John Woodbridge, editor, Moody Press, Chicago, 1985, p. 2.


(continua)

J. Hampton Keathley III
Traduzido e adaptado por Ana Paula Barata

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