APRESENTAÇÃO DO SENHOR
Recebamos a luz clara e eterna
Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do Encontro
do Senhor, corramos para Ele com todo o fervor do nosso espírito. Ninguém deixe
de participar neste Encontro, ninguém se recuse a levar a sua luz.
Levemos em nossas mãos o brilho das velas, para significar o esplendor divino
d'Aquele que Se aproxima e ilumina todas as coisas, dissipando as trevas do
mal com a sua luz eterna, e também para manifestar o esplendor da alma, com
o qual devemos correr ao encontro de Cristo.
Assim como a Virgem Mãe de Deus levou ao colo a luz verdadeira e a comunicou
àqueles que jaziam nas trevas, assim também nós, iluminados pelo seu fulgor
e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, devemos acorrer pressurosos
ao encontro d'Aquele que é a verdadeira luz.
Na verdade a luz veio ao mundo, e, dispersando as trevas que o envolviam, encheu-o
de esplendor; visitou-nos do alto o Sol nascente e derramou a sua luz sobre
os que se encontravam nas trevas: este é o significado do mistério que hoje
celebramos. Caminhemos empunhando as lâmpadas, acorramos trazendo as luzes,
não só para indicar que a luz refulge já em nós, mas também para anunciar o
esplendor maior que dela nos há-de vir. Por isso, vamos todos juntos, corramos
ao encontro de Deus.
Eis que veio a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo.
Todos nós, portanto, irmãos, deixemo-nos iluminar, para que brilhe em nós esta
luz verdadeira.
Nenhum fique excluído deste esplendor, nenhum persista em continuar imerso na
noite, mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos
todos juntos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna:
associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de acção de graças ao
Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez
participantes do seu esplendor.
A salvação de Deus, com efeito, preparada diante de todos os povos, manifestou
a glória que nos pertence a nós, que somos o novo Israel: e nós próprios, graças
a ele, vimos essa salvação e fomos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa, tal
como Simeão, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.
Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que vem de Belém, nos convertemos
de pagãos em povo de Deus (Jesus é com efeito a Salvação de Deus Pai) e vemos
com os nossos próprios olhos Deus feito carne; e porque vimos a presença de
Deus e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, nos chamamos
novo Israel. Com esta festa celebramos cada ano de novo essa presença, que nunca
esquecemos.
Dos Sermões de S. Sofrónio, bispo
(Orat 3 de Hypapante, 7-7: PG 87.3.3291-3293) (Sec.VII)