RCC em Portugal 2011
RCC em Portugal 2011: que o Senhor faça correr rios
de água viva…
1. Com a comemoração do 36º ano do Renovamento Carismático em
Portugal, e o início de mais um ano de caminhada espiritual no seio desta impetuosa
corrente de graça, olhamos para o ano que findou e agradecemos a Deus por tudo
o que aconteceu, quer a nível individual, quer a nível do grupo de oração a
que pertencemos. E pensamos como tudo foi graça, apesar das dificuldades, dos
altos e baixos de cada semana, de cada mês… e discernindo nos acontecimentos
como Deus nos falou ao longo do ano. Vêmnos ao pensamento aquelas palavras de
S. Paulo: “Ora nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam,
daqueles que, segundo o Seu desígnio, são eleitos” (Rom 8, 28). Verificámos
como o Espírito Santo vai cuidando da Igreja de Cristo, corpo de homens frágeis
e pecadores. Razão para nos impelirmos a fazer a nossa parte sem desfalecer,
na oração, no estudo e preparação perseverante para aquilo que Deus nos vai
pedindo, na comunhão da Igreja.
2. Há que fazer uma reflexão constante acerca
da nossa experiência, avaliando o que passou, quais as necessidades da comunidade
em nosso redor e o que necessita de ser renovado à luz do Evangelho, tendo em
vista o crescimento na vida no Espírito, a santidade cristã a que todos somos
chamados. Voltamos sempre a dar graças a Deus pelo Padre José da Lapa, que,
inspirado pelo Espírito Santo, há 36 anos trouxe o Renovamento Carismático para
Portugal; e formou e orientou o Grupo de Oração Pneumavita, que gerou outros
grupos pelo País e além fronteiras, multiplicando frutos de conversão em tantas
vidas.
3. Entre outras obras do Pneumavita, merece destaque um autêntico tesouro,
por vezes um pouco esquecido entre nós: os livros das Edições Pneuma, que nos
têm permitido aprofundar a nossa formação nas diferentes áreas da espiritualidade
do Renovamento Carismático Católico. As Edições Pneuma têm ao longo dos anos
editado livros fundamentais, a cuja leitura e estudo, individualmente ou em
grupo, deveríamos voltar constantemente. São já mais de duas dúzias de publicações
escolhidas, para além da Revista Pneuma que recebemos mensalmente.
4. À luz da experiência pessoal, nunca devemos
dizer: "Ah! Esse livro já o li, há uns anos atrás…” — afastando a ideia de o
ler de novo. Sabemos que o Espírito Santo nos pode revelar algo que numa primeira
leitura não estávamos ainda maduros para entender e que neste momento poderá
ser a chave para resolver uma situação e darmos um passo em frente. Assim, os
bons livros devem ser relidos e estudados, pois são imprescindíveis para caminhar
em grupo de oração carismática. E sobretudo para quem for chamado a servir nos
grupos, indicaríamos “como indispensáveis”, os seguintes livros:
Pe. Emilano
Tardif e José Prado Flores: Jesus está Vivo; Jesus é o Messias;
Pe. Robert DeGrandis: Ministério de Cura para Leigos; A Eucaristia Fonte de Cura;
Pe. Dario Betancourt:
Venho para Curar; Os Sacramentos Fonte de Cura;
Pe. Pedrini: Evangelizar é fazer
Jesus acontecer; Grupos de Oração: como fazer a Graça acontecer; Programar o
crescimento dos grupos carismáticos; Saiba participar de grupos carismáticos;
Pe. Vicente Borragán Mata: Como um Vendaval;
Pe. Benigno Juanes: Servos e Equipa
Responsável nos Grupos de Oração;
Pe. Alfredo Neres: Ide, Anunciai o Evangelho,
Curai os Doentes, Expulsai os Demónios;
Cardeal Suenens (coord): O Renovamento
Carismático Católico; Orientações Teológicas e Pastorais. (Documento de Malines
I)
Cardeal Josef Cordes: Reflexões sobre o Renovamento Carismático Católico;
5. Os livros das Edições Pneuma são um património precioso no seio do Renovamento
Carismático em Portugal, ao alcance de todos os que querem continuar a crescer
numa vida no Espírito. Revendo numa leitura rápida os temas neles abordados,
sentimo-nos logo atraídos por alguns deles, que nesta altura se tornam mais
urgentes de aprofundamento, tais como por exemplo: O que é o Renovamento? As
Equipas em Serviço nos Grupos de Oração; Dons e Carismas do Espírito Santo;
O Ministério de Cura nos Grupos de Oração.
6. Pegando no livro do Padre Borragán
Mata, “Como um Vendaval”, somos levados a aprofundar a questão: o que é afinal
o Renovamento Carismático Católico? Porque o Renovamento não é um movimento
criado pelo homem, como seu fundador na terra: foi uma surpresa de Deus, só
pode ser entendida à luz do Pentecostes, o seu fundador foi o próprio Espírito
Santo. Mas o Espírito Santo precisa da nossa entrega, da nossa resposta a essa
graça, da nossa dedicação e do nosso estudo.
7. O Renovamento foi acolhido na
igreja Católica pelo discernimento do Papa Paulo VI, que o referiu como “uma
«chance» para a Igreja e para o mundo”. Também o Papa João Paulo II e Bento
XVI se manifestaram em numerosas ocasiões com muito carinho e incentivos para
com o Renovamento, confirmando-o e dando-lhe as suas bênçãos. Mas, se ao contrário
do bom acolhimento dos Papas, ainda por vezes se experimenta desconhecimento,
reserva ou falta de acolhimento por parte de alguns católicos, diz o Pe. Vicente
Borragán Mata (no citado livro, "Como um vendaval"): “…o Renovamento não deveria
experimentar qualquer angústia em relação a sentir-se reconhecido e aprovado,
nem por figurar nas listas dos movimentos da Igreja. Nada disso é importante.
A única coisa que importa é que os homens vão chegando a Deus e reconheçam Jesus
como Senhor e Salvador” (p. 79).
8. Daí a importância de sabermos o que é, e
o que não é, o Renovamento, tema que é muito bem desenvolvido no livro. Esta
nossa caminhada em Renovamento terá de ir submetendo a nossa experiência
do Espírito a uma prova lenta e terá de estar aberta ao estudo e à reflexão.
Porque sendo o Renovamento um vendaval, é também uma brisa suave e uma flor
delicada e: "O pior que pode acontecer ao Renovamento é que nós, homens, ponhamos
as nossas mãos em algo que surgiu do vento poderoso do Espírito e que comece
essa espiral de organização, edifícios, congressos, burocracia e serviços… e
que quando tivermos algum tempo livre, o dediquemos a louvar ao Senhor” (p.
259).
9. Sentindo que o Renovamento poderá ser desvirtuado, interroga-se o Pe.
Borragán se o Renovamento correrá o risco de um dia se transformar em apenas
mais um movimento de boa gente, piedosa, mas sem carismas, sem garra, sem frescura.
“O pior serviço que se pode fazer ao Renovamento é apoderar-se dele e convertê-lo
num grupo ao serviço da paróquia ou num movimento ao serviço de diversos planos
pastorais. O Renovamento tem que ser respeitado na sua identidade mais profunda
e de ser acolhido e amado tal como o Espírito o quis. Foi Ele quem o suscitou
e quem conduz como quer e por onde quer. Não podemos fazer um Renovamento à
nossa imagem e semelhança nem segundo os nossos gostos ou interesses. Ninguém
pode dizer ao Espírito o que tem de fazer ou como deve fazê-lo” (p. 226).
10.
Também o Padre Jean Simonart (que durante dez anos dirigiu o Renovamento no
Espírito na Bélgica, e que desde há vários anos se desloca regularmente a Portugal
para dirigir retiros e formar para a evangelização, em alguns dos quais tivemos
a graça de participar), avisava numa entrevista, sobre dois perigos que espreitam
o Renovamento:
[1] “O primeiro é o de deixar de rezar pela Efusão do Espírito
e deixar de organizar o Seminário de Vida Nova no Espírito. Seria um verdadeiro
suicídio para o Renovamento.
[2] O segundo perigo, mais subtil, é o de organizar
esse Seminário esvaziando-o do seu conteúdo e das suas características essenciais,
tornando-o numa série de conferências espirituais como muitas outras na Igreja”.
11. Neste sentido, o Padre Borragán transmite-nos o que ele considera ser o
segredo para manter a identidade e o futuro do Renovamento: “A Efusão do Espírito!
Aí está o segredo. O Renovamento continuará vivo enquanto a Efusão do Espírito
for uma realidade, enquanto se continuarem a fazer poderosos seminários de Vida
no Espírito, enquanto muitos fiéis forem preparados para o encontro pessoal
com Jesus, como Senhor e Salvador, enquanto o louvor continuar a brotar dos
corações em torrentes, enquanto a Palavra for a lâmpada que ilumina a sua vida,
enquanto se continuar a invocar o Espírito aos quatros ventos para que venha
sobre estes ossos ressequidos e calcinados e lhes dê uma vida nova” (p. 260).
12. Acolhamos com confiança estas palavras de sabedoria e afastemos os receios
mantendo os olhos no Senhor; acreditando com a fé que Deus nos dá nesta corrente
de graça, que não é nossa, mas sim do Espírito Santo. Ele quer renovar a face
da terra: derramar em todos os corações um novo Pentecostes para que, neste
tempo da história da salvação, reine a paz e uma renovação moral e espiritual,
que vencerá o mal que parece atormentar o mundo. Invoquemos pois o Espírito
Santo em todas as nossas orações pessoais ou de grupo, para que Ele continue
a manifestar-se de forma evidente; e que assombre o mundo com as suas maravilhas,
pelos os seus carismas, como no tempo dos Actos dos Apóstolos, e nos conduza
a nós e a toda a Igreja à santidade.
José Maria Sá da Bandeira