Seminários Vida Nova no Espírito
Quando foi necessário encontrar um critério que
permitisse diferenciar os grupos de oração do Renovamento, relativamente a outros
grupos, verificou-se que o critério era o da experiência da efusão do Espírito
Santo. Se não mais se experimenta a efusão do Espírito, então terminou a graça
do Renovamento. A efusão do Espírito é o traço característico do Renovamento;
a graça da irrupção pentecostal. E daí a importância que devemos dar à sua preparação
e à oração para a receber.
Dois perigos espreitam o Renovamento Carismático.
O primeiro é diminuir, ou deixar de realizar, os Seminários das sete semanas,
para receber a efusão do Espírito Santo. Seria um verdadeiro suicídio para o
Renovamento. Os responsáveis de grupos de oração que não possam organizar este
Seminário das sete semanas nos seus próprios grupos, deverão estar atentos e
enviar os novos membros para frequentar este Seminário num outro grupo, ou providenciar
uma forma que conduza à efusão do Espírito.
Uma segunda maneira, mais subtil,
de causar prejuízo ao Renovamento, é organizar o Seminário das sete semanas
mas esvaziando- o do seu conteúdo e características essenciais. O Seminário
torna-se, então, numa série de conferências espirituais, como há muitas na Igreja.
O Seminário das sete semanas
As sete semanas, tal como foram concebidas, constituem
uma caminhada, uma progressão, uma dinâmica que conduz os participantes a adquirir
as disposições requeridas para acolher a efusão do Espírito Santo. Não se pode
fazer outra coisa qualquer.
O nosso propósito não é tratar aqui em pormenor
desta caminhada — isso pode ser encontrado em muitas brochuras e manuais. Agora,
quereríamos simplesmente insistir sobre alguns pontos que não devem ser negligenciados.
Um compromisso
Em primeiro lugar, não esqueçamos que as sete semanas (o Seminário
para a efusão do Espírito) não visam principalmente uma informação ou a aquisição
de conhecimentos; mas, acima de tudo, uma nova iniciativa, um compromisso de
vida. Se, durante este seminário, nenhum compromisso é tomado e realizado no
coração e na vida dos participantes, o objectivo não é atingido.
Testemunhos
É por isso que é tão importante que, além dos ensinamentos, dados ao longo das
semanas, haja testemunhos que venham concretizar e facilitar a encarnação na
vida daquilo que foi ensinado.
Deste ponto de vista, os grupos de partilha têm,
eles também, a sua importância nas sete semanas.
Um clima de oração
Não esqueçamos
que, se a caminhada das sete semanas é, em certa medida, um fruto do esforço
do homem, ela é, também e sobretudo, o fruto da graça. A efusão do Espírito, nenhum homem a pode produzir
ou realizar. Certamente, podemos e devemos dispor-nos a receber este dom, mas
só Deus pode dar o Espírito Santo.
É muito importante que esta caminhada seja
mergulhada num clima de oração. Não se trata de sete tardes, mas de sete semanas
completas. Que cada participante tenha um tempo de oração pessoal cada dia;
e que todo o grupo reze e peça o dom do Espírito para os irmãos e irmãs que
estão em caminhada. É bom, nesta ocasião, pedir a oração de comunidades contemplativas.
Uma conversão
O coração do seminário preparatório para a efusão do Espírito
é, dizíamo-lo acima, um novo compromisso, realizado concretamente na vida pessoal.
Mas de que compromisso se trata?
Trata-se de nada menos do que de uma verdadeira
conversão. A mesma que se opera no coração de adultos, homens ou mulheres, quando
pedem para entrar na Igreja pelo baptismo.
Trata-se de aceitar Jesus como Salvador
e Senhor, no concreto da vida pessoal. De aceitar entregar a Jesus o controlo
da nossa vida. De aceitar que não sejamos mais nós mesmos a conduzir a nossa
vida ao nosso modo, mas que Jesus seja o nosso Guia, o nosso Mestre e o nosso
Senhor. É, de certa maneira, dar a nossa vida a Jesus e, em confiança, deixarmo-nos
conduzir pelo seu Espírito. É por conseguinte uma decisão e um compromisso muito
profundos, que provocam uma nova maneira de viver: a existência cristã.
Um amor ilimitado
Uma tal decisão não é possível a não ser que tenhamos descoberto,
e de algum modo experimentado, quanto Jesus preenche o homem, como o salva.
Isto não é realizável a não ser que se experimente, de uma maneira ou de outra
mas pessoalmente, que Jesus é o Salvador, que Ele é a manifestação do amor apaixonante
do Pai… um amor sem nenhum limite, amor por cada um de nós pessoalmente.
É por
isso que eu aconselho vivamente que se comece as sete semanas pela descoberta
do amor gratuito e incomensurável que o Pai nos tem. É a descoberta deste amor
que abrirá o nosso coração, o libertará e o colocará na via da confiança. Toda
a caminhada deve ser penetrada deste clima.
A reconciliação
Se o coração deste
seminário preparatório para a efusão do Espírito é efectivamente a conversão,
compreende-se bem como é necessário preparar bem e viver profundamente o ministério
do sacramento da reconciliação. É o sacramento da conversão.
Em quais disposições?
Sobre este compromisso fundamental de dispor da minha vida para a submeter ao
senhorio de Jesus, vêm depois enxertar-se as disposições requeridas para o acolhimento
do Espírito Santo. Para além da disponibilidade e da confiança, é necessário
despertar um grande desejo, uma sede deste dom inconcebível que é o dom do Espírito
Santo. É preciso que o nosso coração fique livre de toda as amarras, o mais
livre e aberto possível. É aqui que a oração de cura interior encontra todo
o seu lugar, para obter o perdão e a libertação.
A evangelização
Finalmente,
para terminar estas breves indicações, gostaria ainda de chamar a atenção para
um elemento menos presente na nossa preparação para a efusão do Espírito (o
que, sem dúvida, favorece uma certa "instalação", uma certa “acomodação"). Se
recebemos a efusão do Espírito, recebemos o mesmo Espírito que Jesus recebeu
no seu baptismo por João; o Espírito que conduziu Jesus na sua vida pública
e na sua missão evangelizadora; e que, no dia de Pentecostes, impulsionou os
apóstolos na obra de evangelização.
Que, a partir das sete semanas, aqueles
que receberem a efusão do Espírito saibam que este dom fará deles evangelizadores;
e os enviará, por todo o mundo, a testemunhar a Boa Nova.
Padre Jean Simonart
Actual Director
Espiritual no Seminário de S. Paulo, de Lovaina, para onde os Bispos da Bélgica
francófona enviam os seminaristas fazer os estudos de teologia, e onde vão seminaristas
vindos de países estrangeiros para fazer estudos universitários. Foi colaborador
muito próximo do Cardeal Suenens.