Encontrar o equilíbrio

 


Já viram um equilibrista no circo, em cima da corda bamba? Ali está ele, suspenso acima da multidão, só com a vara para lhe dar equilíbrio. Cuidadosamente, ele balança a vara um pouco para um lado, um pouco para o outro, para evitar cair no chão. Um passo em falso e lá vai ele parar ao chão!

 

Tal como o equilibrista, precisamos de encontrar o equilíbrio nas nossas vidas, ou tudo à nossa volta se desmorona, particularmente as nossas relações familiares. Há muitas actividades em que nos podemos envolver. Muitas vezes a escolha não é entre bom ou mau, mas sim bom e melhor, ou entre melhor e o melhor. “Tudo posso, mas nem tudo me convem. Tudo me é permitido, mas de nada me farei escravo” (1Cor 6,12) Enquanto que S. Paulo se referia à forma como os Coríntios encaravam a comida, a bebida e a actividade sexual, esta passagem pode bem aplicar-se à forma como encontramos o equilíbrio nas nossas vidas, enquanto famílias Católicas.

 

Assim que os nossos filhos entraram na adolescência, parece que ficámos mais atarefados do que nunca antes. Vamos levá-los de carro a encontros de grupos de jovens, a casa de amigos, a sítios onde vão passar a noite, retiros, trabalhos, etc. Este ano, a certa altura, entre lições de piano, karate e actividades de grupos de jovens, estávamos fora quase todas as noites da semana. Desnecessário é dizer que todo este entra e sai tem impacto na qualidade da vida em família. As refeições são feitas à pressa, o tempo de oração em família é encurtado, as pequenas tarefas caseiras descuradas, os cuidados com a casa negligenciados e os humores incendeiam-se. Não é uma situação agradável!

 

A necessidade de equilíbrio tornou-se realmente flagrante em nossa casa há uns meses, quando o nosso filho mais velho se envolveu numa equipa de planeamento, para um evento organizado pelo grupo de jovens da paróquia, do qual ele faz parte. Tal como é apanágio dos jovens, perderam a noção do tempo que estavam a gastar e reuniam-se todas as noites para planear o evento. Efectivamente, este correu muito bem e foi muito agradável, mas os jovens envolvidos na organização ficaram exaustos durante vários dias, depois do evento. O nosso filho apareceu constipado e com dores de cabeça e teve de faltar à escola dois dias. Mesmo tratando-se de actividades muito meritórias, agradáveis e até “espirituais”, é necessário haver um equilíbrio.

 

É importante que cada membro da família cresça nos seus dons e talentos, quer seja a tocar piano ou a liderar um grupo de jovens da paróquia. Assim que passamos a estar em casa “de passagem” por estarmos muito atarefados, é tempo de abrandar e avaliar a qualidade do nosso tempo de vida em família. Nos últimos meses, fiquei pessoalmente convencida de que temos de lutar pelo equilíbrio na família. Li um livro chamado “The Purpose-Driven Life”, de Rick Warren, o pastor de uma grande congregação nos Estados Unidos. Nos primeiros capítulos, o autor refere a necessidade de mantermos uma perspectiva eterna relativamente às nossas vidas. Quando estamos confrontados com decisões sobre actividades pessoais ou familiares, podemos perguntar-nos: “Isto está a contribuir para o essencial da nossa vida ou é uma distração que nos afasta dos propósitos que o Senhor tem para nós e para a nossa vida? Isto vai beneficiar a nossa família ou vai aumentar a sobrecarga de tarefas? Que propósito eterno é que isto serve?”

 

Estes pensamentos constituem um desafio e acredito que a nossa família ainda tem de percorrer um grande caminho neste aspecto. No entanto, quando abraçamos o chamamento diário de Deus nas nossas vidas, entregando-Lhe as nossas actividades e decisões, Ele guia-nos pelos caminhos que forem mais frutuosos para a nossa família. Veremos a mão de Deus a actuar até em circunstâncias bastante normais.

 

Num mundo que parece guiado pela hiper-actividade e o desejo de realização, temos de ter em mente a perspectiva eterna. As palavras do mestre de oração Robin Mark descrevem eloquentemente como podemos adquirir “a mente de Cristo” quando temos de tomar decisões nas nossas vidas: “Quanto tudo tiver acabado, há uma só coisa que importa. Fiz o melhor para viver pela verdade? Vivi a minha vida para Ti? Quanto tudo tiver acabado, os meus tesouros não valerão nada. Só o que fiz por amor passará o teste do tempo.”

 

Sue Atkinson
in: Rev. “The Bread of Life”, Set.2003
(Tradução Grupo Pneuma-Boa Nova)

 

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