Conversão e mudança





Expectativas da Igreja da Colômbia

O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia fez uma intervenção na 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, Brasil (2007), de que extraímos os seguintes excertos que bem merecem ser meditados.
Os Bispos delegados e demais convocados da Colômbia chegaram a Aparecida com imensa esperança. Ela brota da certeza de que nos guia o Senhor Ressuscitado, Jesus Cristo vivo, por meio de seu Espírito, no meio das mudanças que hoje vivemos.


MUDANÇA CULTURAL

Damo-nos conta de que não estamos experimentando apenas algumas mudanças dentro da nossa época; estamos sim experimentando que é a própria época que está mudando. Não estamos enfrentando mudanças dentro da casa cultural em que vivemos; constatamos que estamos mudando de casa. Este novo paradigma interpela-nos; pede-nos outro tipo de respostas pastorais acerca de tudo, outro estilo de ser pastores.

O nosso desejo é que aqui, em Aparecida, possamos desenhar esse novo estilo de vida, de atitudes pastorais e de itinerários espirituais que são necessários hoje.


CONVERSÃO DO DISCÍPULO

Reconhecemos quão acertado e inspirado é o tema: discípulos e missionários de Jesus Cristo para fortalecer a nossa identidade cristã. A tempos difíceis, discípulos novos. Fazemos alusão a um novo Bispo, a um novo sacerdote, a um novo diácono, a um novo religioso consagrado e a um novo leigo. Esperamos que Aparecida tome em especial consideração os processos formativos de todos estes discípulos, frente aos novos desafios religiosos e socioculturais do continente americano.


CONVERSÃO PASTORAL

O nosso desejo é que possamos desenhar, criativa e comunitariamente, essa nova pastoral que dê a devida prioridade ao anúncio de Jesus Cristo e aos processos de iniciação cristã. Vislumbramos uma pastoral de processos, e não simplesmente de acções momentâneas. Tomamos em consideração a dificuldade dos processos longos, quando a mentalidade "light", de tipo pós-moderno, só quer assumir compromissos brandos, sem muito passado e sem muito futuro. Queremos sonhar com uma pastoral realizada por todos e para todos, sem exclusões. Assim vai-se construindo a unidade na diversidade.

Insistimos em que se dê forma a uma visão pastoral onde, com a luz do Espírito, o leigo na Igreja seja de verdade protagonista na pastoral, e não só fiel executor da mesma.


CONVERSÃO ESPIRITUAL

Com genuína humildade e com atitude de escuta, devemos enfrentar as novas realidades latino-americanas.

Além disso, não podemos limitar-nos a atingir unilateralmente a cabeça dos nossos fiéis, com ritos, normas, leis e doutrinas. É a hora do coração. É a hora do primado do amor. É a hora da imaginação que acompanha as migrações intelectuais e o mundo virtual. É a hora da beleza e da simpatia como caminhos para chegar com a verdade de Jesus.

Esperamos que se dê ênfase a quatro realidades: vida, família, educação e bem comum - as quais, segundo Bento XVI, não são negociáveis. Tenhamos também em consideração que não desenhamos uma resposta só para os adultos, mas acima de tudo para as crianças e jovens construtores do futuro. Eles, com a sua sede de ideais e de razões de viver, esperam muito de nós.


MUDANÇA SOCIAL

O continente latino-americano vai crescendo economicamente. Mas este crescimento não se traduz em desenvolvimento que seja inclusivo, integral e equitativo. Portanto, é indispensável que reafirmemos a nossa opção pelos pobres. Mas esta opção não basta. Devemos optar também pela evangelização do mundo político, do mundo empresarial, do mundo dos capitais, para que nestes mundos penetre o sentido ético, como solidariedade com o outro em necessidade.

A Igreja na Colômbia trabalha sem descanso, não a partir da política, mas do Evangelho, para alcançar a paz nos corações, nas famílias, na nação toda. Esperamos de Aparecida uma luz solidária que nos guie.


MUDANÇA MISSIONÁRIA

O Reino de Deus apaixona-nos e convoca-nos na América Latina. Cada discípulo, a partir do seu ângulo e perspectiva, está chamado a servir o Reino de Deus, comprometendo-se nos elementos próprios da missão, como são: o testemunho, o anúncio e a ajuda ao nascimento de outras comunidades; a liturgia, a oração e a contemplação; o trabalho pela paz, a justiça e a integridade da criação; o diálogo inter-religioso, a inculturação, o ministério da reconciliação, a animação missionária e o acolhimento dos que retornam à fé católica. É indispensável identificar bem os destinatários da missão.

A missão é substancial no discípulo, desde o seu baptismo; não é adorno ou acidente. Por isso, ninguém deve concentrar-se exclusivamente na sua própria perfeição. Aquele que busca a si mesmo, perde-se. Em troca, a fé se fortalece dando-a.

Por isso, invocamos o Espírito Santo Evangelizador, para que transforme Aparecida em outro maravilhoso Pentecostes.

Mário Pinto

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