XXXII Assembleia Interdiocesana do RCC
Mais uma vez, Fátima esteve em festa
no último fim-de-semana de Agosto: no Centro Pastoral de Paulo VI realizou-se
a XXXII Assembleia Interdiocesana do Renovamento Carismático Católico.
“O povo
que formei proclamará o meu louvor”, palavras do Senhor para o povo de Israel
durante a última parte do exílio babilónico e profeticamente citadas pelo autor
na segunda parte do livro de Isaías (Is 43, 21), que constituíram o tema central
desta assembleia. Todas as Equipas de Serviço Diocesano se fizeram representar
e, para além destes elementos, foram muitos os irmãos que, vindos de todos os
pontos do país, ali se reuniram para dois dias de formação e de acção de graças
ao Senhor. As actividades, coordenadas pela Equipa de Serviço Nacional, decorreram
num clima de grande júbilo, paz e fervor e seguiram a dinâmica carismática:
oração matinal de Laudes, Eucaristia diária, Adoração ao Santíssimo Sacramento,
oração de cura e libertação e tempos de animação, tudo isto enriquecido com
muita oração em línguas e palavras de profecia, e intercalado com os três ensinamentos
de James Murphy, o orador convidado; de serviço como tradutora, a irmã Maria
Helena Amorim. Um momento aprazível de muita espontaneidade foi a chamada das
dioceses (e das comunidades carismáticas), com fitas de várias cores que alegremente
se agitavam ao som dos cânticos do Coro da Diocesana de Braga, inteiramente
formado por jovens, e que animou toda a assembleia, tendo desempenhado o seu
ministério com discernimento, oportunidade e excelência.
No sábado, as Laudes
foram presididas pelo Pe. António Matos, assistente espiritual diocesano do
R.C.C. em Viseu, a que se seguiu o primeiro ensinamento, tendo a manhã terminado
com Adoração silenciosa, presidida pelo Pe. Abílio Raposo, assistente espiritual
diocesano do R.C.C. em Beja; à tarde, um tempo de animação e de oração, o segundo
ensinamento e Eucaristia na Igreja da Santíssima Trindade, presidida por D.
António Vitalino Canas, Bispo de Beja. Depois do jantar, louvor e oração de
cura e l iber tação, com expos i ção do Santíssimo e Adoração; a oração foi
orientada por Jim Murphy, tendo presidido à Adoração o Pe. Manuel Ramos, assistente
espiritual do RCC na diocese do Funchal. No domingo, animação e oração da manhã,
presidida pelo Pe. Manuel Ramos, depois o terceiro ensinamento e, a concluir
a assembleia, Eucaristia presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, Bispo Emérito
de Leiria e Fátima, em representação da Comissão Episcopal Portuguesa.
Se me
fosse pedido o resumo destes dois dias da assembleia numa só palavra, essa palavra
seria, indubitavelmente, união.
O ORADOR CONVIDADO
De nacionalidade americana
e natural do Michigan, onde vive, James Murphy nasceu em 1952, é casado e tem
um filho; foi quando frequentava o ensino secundário que tomou a decisão de
entregar a sua vida a Cristo; posteriormente, licenciou-se em Trabalhos Sociais
e fez várias especializações ligadas a práticas de assistência social e de organização
comunitária.
Tem servido a Igreja Católica a nível paroquial, diocesano, nacional
e internacional. Actualmente, é consultor da Equipa Nacional do R.C.C. nos Estados
Unidos da América, produtor de um programa semanal de televisão destinado à
renovação ministerial e membro do I.C.C.R.S. (International Catholic Charismatic
Renewal Service/Serviço Internacional do Renovamento Carismático Católico),
cujos escritórios se localizam em Roma.
Em 1992, inspirado pela Carta Episcopal
dos Bispos Americanos sobre “Herança e Esperança”, atravessou a América a pé,
carregando uma cruz de 1, 85 m, numa jornada de oração e evangelização; a viagem,
na sua maior parte através de desertos, durou dezoito meses, tendo percorrido
6.759 km e gasto catorze pares de sapatos.
OS ENSINAMENTOS
No primeiro ensinamento,
James Murphy começou por salientar a importância do tema da assembleia, que
se aplica muito bem aos portugueses: sendo a história de Portugal a história
de um povo que percorreu o mundo, esta mensagem de um povo que caminha é especialmente
importante hoje para a Igreja em Portugal. Depois, falou do profeta Isaías e
descreveu a difícil situação do povo de Deus durante o tempo de cativeiro na
Babilónia. E eis que Israel começa um segundo Êxodo, de regresso à sua terra,
e o profeta Isaías surge então com uma palavra de esperança e com uma promessa
de restauração: “Eu sou o Senhor, o vosso Deus santo, o vosso rei…Nada temas
porque eu te resgatei, tu és meu…és precioso aos meus olhos… estimo-te e amo-te…Não
penses mais no passado pois vou realizar algo de novo… vou abrir um caminho
no deserto…hei-de fazer brotar água no deserto para dar de beber ao meu povo,
o meu eleito, o povo que eu formei para mim” . Nã o caminhamos através
da vida sozinhos; temos um Deus que cuida de nós, que é a nossa providência
e que merece toda a nossa lealdade e louvor. Portanto, a nossa caminhada no
deserto é sempre um caminho de confiança no Senhor, uma sucessão de pequenos
passos espirituais com que Ele nos vai transformando.
No segundo ensinamento,
James lançou a questão: Como é que Deus nos transforma? “Vou chamar-te ao deserto
e lá te vou falar ao coração”, diz o profeta Oseias. Geralmente, a nossa transformação
dá-se no deserto: o Senhor tenta tirar-nos das coisas do mundo e levar-nos para
as Suas coisas. No deserto não há distracções, a nossa vida simplifica-se e
vamos largando tudo o que é supérfluo para nos determos no essencial: Deus.
Portanto, o deserto pode ser um lugar de sofrimento mas também pode ser um lugar
de grandes e belas coisas. O nosso Deus é um Deus de surpresas e a certeza maior
que devemos ter é que Ele vai dar-nos aquilo de que precisamos e quando precisamos.
E nesta travessia do deserto, o Senhor dá-nos algo de muito especial: uma nascente
de água viva, à qual podemos sempre ir beber para sermos pessoas novas: o Espírito
Santo. Ninguém vai conseguir atravessar o deserto se não beber desta água viva.
No terceiro ensinamento, James falounos sobre a importância do louvor: precisamos
de louvar a Deus porque Ele é digno do nosso louvor, e temos de conseguir que
muitas outras pessoas se possam reunir a nós nesta assembleia sagrada de louvor.
Depois, indicou-nos várias formas de louvar e de melhorar a nossa
oração de louvor: começar, a partir de hoje, a fazer do louvor uma prática diária;
elevar as mãos e, com a nossa voz, proclamar o louvor a Deus; louvar utilizando
a Bíblia, onde há milhares de versículos de louvor; usar o dom maravilhoso de
orar no Espírito; dar aos outros o nosso testemunho de que, no meio dos nossos
problemas, Deus está sempre connosco e, por isso, podemos manter-nos calmos,
com alegria e esperança; viver o nosso louvor em comunidade, como aconteceu
no Pentecostes.
A CONCLUIR
No final da Eucaristia de domingo, o nosso irmão
José Luís Oliveira, coordenador nacional do R.C.C., começou por agradecer
ao Senhor e depois aos homens, tendo-se dirigido às equipas que estiveram de
serviço e a determinadas pessoas em particular. Depois, um recado para todos:
“Na travessia do deserto, o povo de Israel seguia a coluna de fogo. Nós não
temos esta coluna mas temos Jesus Cristo. Ele esteve aqui parado durante dois
dias e nós também estivemos parados; agora Ele segue e nós vamos segui-l’O;
por isso, olhamos para o presente com muito entusiasmo e para o futuro com muita
esperança.”
E a concluir, palavras para D. Serafim, com o pedido de as transmitir
à Comissão Episcopal: “Somos um povo muito grande mas temos a certeza de que
somos um só e estamos prontos a dar a vida por Jesus Cristo porque somos o Seu
povo e Ele é o nosso único Senhor”.
Isabel Moraes Marques