34º Aniversário de Pneumavita





Fez no dia 5 de Janeiro trinta e quatro anos que germinou, em Lisboa, o primeiro grupo do Renovamento Carismático Católico (para o qual o Espírito Santo viria a inspirar o nome de Pneumavita) na Diocese e em Portugal. Para vivermos este aniversário em união com toda a Igreja, o Senhor chamou-nos a uma Eucaristia de acção de graças, que se realizou na Igreja de Santa Isabel, local onde Pneumavita se reúne semanalmente. A Eucaristia foi presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, coadjuvado por uma coroa de sacerdotes, para além dos diáconos: Pe. Sílvio Couto, pároco de Sesimbra, Pe. Leo, da paróquia da Amora, Pe. Alberto Coelho e Pe. Marco de Sousa, da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, Pe. Raul Viana, de Viana do Castelo, Pe. Carlos Macedo, dehoniano, da Igreja do Loreto, Pe. João Luís Paixão, pároco de Cacilhas, Pe. Marco Luís, conselheiro espiritual do Renovamento Carismático na Diocese de Setúbal e Pe. José da Lapa, o sacerdote espiritano de quem o Senhor se quis servir para trazer para Portugal e aqui iniciar o Renovamento Carismático Católico. Tomando as palavras do Salmo da liturgia do dia, ali nos tínhamos juntado, para adorar o Senhor, todos os povos da terra: para além dos irmãos que, semanalmente, se reúnem naquela igreja em assembleia de louvor, oração e adoração, participaram na Eucaristia elementos de muitos grupos de oração de outras dioceses, bem como representantes da equipa de serviço diocesana de Lisboa e toda a equipa diocesana de Setúbal.

Antes do início da Eucaristia, o Pe. Lapa deu graças ao Senhor por mais um aniversário de Pneumavita, grupo gérmen do Renovamento Carismático na Diocese de Lisboa e em Portugal; dirigiu palavras de acolhimento e boas vindas a todos os presentes e, seguidamente, recordou, na primeira pessoa, como tudo tinha acontecido há trinta e quatro anos: a sua experiência em Roma onde, pela primeira vez, ouviu falar do Renovamento Carismático Católico, tendo então feito, no Grupo Hossana, a caminhada do Seminário de Vida Nova no Espírito. No momento da efusão do Espírito Santo, ouviu do Senhor estas palavras: "Tu és missionário do Espírito Santo e eu preciso de ti". Alguns dias mais tarde, alguém do grupo profetizou: "Padre José, está designado por Deus para espalhar esta semente do Espírito Santo". Regressado a Lisboa, andou durante cerca de três meses a rezar à porta fechada com um grupo de pessoas amigas, na casa dos Missionários do Espírito Santo à Estrela, depois houve, a 6 de Novembro de 1974, a oração em Fátima, que marca o início do Renovamento em Portugal, e a reunião de oração em Lisboa, com cerca de cento e vinte pessoas (no qual se incluíam padres, seminaristas, freiras e leigos) no dia 5 de Janeiro de 1975 em que, pela primeira vez, resolveram abrir as portas. É esta reunião que marca o início do Renovamento e do primeiro grupo de oração carismática (mais tarde baptizado com o nome de Pneumavita) na Diocese de Lisboa.

A partir desta semente, desta dádiva do Céu que a Igreja em Portugal recebeu há trinta e quatro anos, começaram a nascer grupos de oração que hoje estão espalhados por todo o país. Durante estes anos, Pneumavita tem sido alfobre de conversões e de vocações religiosas; continuando a reunir em assembleia de oração semanalmente, sempre com a casa cheia, milhares de pessoas por aqui têm passado, aqui encontraram ou reencontraram Cristo e começaram a percorrer o caminho de uma vida nova no Espírito. Por tudo isto que o Senhor tem feito e vai continuar a fazer servindo-se de Pneumavita, fomos exortados pelo Pe. Lapa a darmos muitas graças a Deus e a vivermos, com muita fé, paz e alegria, esta Eucaristia aniversária.

Numa bela homilia, o Sr. Bispo começou por dar os parabéns a Pneumavita, agradecendo e louvando o Senhor por esta obra maravilhosa do Seu Espírito. Em seguida, e reportando-se às leituras do dia (1 Jo 4, 7-10 e Mc 6, 34-44), falou-nos do amor de Deus. São João diz-nos várias vezes que Deus é amor, que Ele nos amou primeiro e que o Seu amor para connosco se manifestou enviando ao mundo o Seu Filho unigénito, que veio para que vivamos com Ele. São João insistentemente nos repete nesta carta que nos amemos uns aos outros porque somos filhos de um Deus que nos ama, que nos fez filhos adoptivos e irmãos uns dos outros. Fácil de anunciar mas difícil de cumprir, o programa que São João anuncia na sua carta.

Nestes dias de tempo ainda natalício, São João convida-nos a contemplar o amor de Deus para que o vivamos e manifestemos na nossa vida, pondo diante de nós o mistério da encarnação que mostra o quanto Ele nos ama. Só entende este discurso quem ama a Deus, quem acolhe o amor de Deus, deixando-se amar por Ele. O amor de Deus é algo concreto que transforma e compromete a existência, que se acolhe e vive na solidariedade, na partilha, na compaixão. É gratuito, dá sem esperar recompensa, por isso é dom, é serviço e não tem medida.

Na missão messiânica de Jesus, uma expressão do amor de Deus é o milagre da multiplicação dos pães. Jesus olha para as pessoas e dá-se conta das suas necessidades, faz-Se próximo dos que sofrem, dos que buscam, compreende a situação de cada um e alivia os sofrimentos físicos e espirituais. Deus manifesta-Se em gestos e palavras e cada gesto é um toque do Seu amor; por isso Jesus compartilhou o sofrimento e a dor das pessoas que foi encontrando pelo caminho.

Hoje, mais do que nunca, encontramos gente sofredora, abandonada, cansada e sem motivos para viver, gente sem esperança que precisa da compaixão de Jesus, do amor dos irmãos. O Senhor chama-nos a viver a compaixão activa e criativa da Igreja. O autêntico apostolado do homem é a compaixão evangélica que brota da compaixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo precisa do amor de Jesus.

Guardemos no coração, como Nossa Senhora, a Palavra de Deus. Na escola da Palavra e na escola da Eucaristia aprendemos a amar e a encarnar a compaixão de Jesus. Ponhamos à disposição do Senhor os dons que recebemos, para que o Senhor os multiplique em amor pelos irmãos. Perante uma multidão faminta, Jesus disse: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a abrir os nossos corações para esta compaixão evangélica que nos move a amar não só com palavras, mas com obras.

Uma das características do Renovamento Carismático é a relação de amizade entre os membros do grupo de oração. É o Espírito de Deus que anima estas relações mas tudo isto deve passar para além do grupo porque a oração leva inevitavelmente à acção. Obedientes ao Espírito que nos conduz, sentir-nos-emos impelidos a ir ao encontro dos pobres; então, olhando à nossa volta, sejamos portadores do amor de Deus e partilhemos, não esquecendo nunca o pão da Palavra. Que o Espírito do Senhor nos acompanhe, nos ajude e nos sustente a viver a Palavra com que o Senhor nos vai alimentando e iluminando a nossa vida. Foi com este pedido ao Espírito Santo que o Sr. D. Joaquim terminou a sua homilia. Foram palavras que a todos tocaram profundamente, em especial os que fazemos em Pneumavita a nossa caminhada. Há trinta e quatro anos que o Senhor nos designou para sermos sementeira e testemunho da Sua Palavra e do Seu amor, depois de escolher o Pe. José da Lapa para Seu instrumento e "timoneiro de Pneumavita, a grande escola do Renovamento Carismático Católico na Diocese de Lisboa", conforme disse o coordenador da Equipa de Serviço Diocesana no final da Eucaristia.

Neste momento de aniversário, queremos levantar as nossas mãos ao Senhor e, com toda gratidão, louvá-l'O pela vida, pela vocação e pela entrega do Pe. Lapa, nosso muito querido pastor. Louvá-l'O por todos os dons que lhe concedeu e que ele tão generosamente tem posto ao serviço de cada um de nós, do Renovamento Carismático e da Igreja através de Pneumavita. Obrigada, Pe. Lapa, pela humildade, sabedoria e fortaleza com que nos tem ajudado a crescer na fé e na docilidade ao Espírito de Deus. Nos momentos de fraqueza e de dor, quando andamos errantes pelo deserto, a sua caridade tem secado muitas lágrimas e as suas palavras consoladoras têm-nos levado a compreender como é tão imenso o amor de Nosso Senhor. Nos momentos de alegria, tem sido como Jesus junto dos Seus amigos: atento e companheiro. Escolhido pelo Senhor desde o princípio dos tempos para Seu servo, o Pe. Lapa é verdadeiramente um homem do Espírito Santo, exemplo de autoridade reconhecida e conhecedor profundo de como deve ser, por vontade divina, o Renovamento Carismático Católico. Talvez por isso, para terminar, me venham ao coração as palavras que o Senhor dirigiu ao profeta Jeremias: "Antes de te haver formado no ventre materno, eu já te conhecia; antes que saísses do seio de tua mãe, eu te consagrei e te constituí profeta das nações". Te damos graças, Pai Santo, por nos teres deixado encontrar este Teu profeta e sacerdote José da Lapa com quem dia a dia aprendemos a ser, por Cristo e em Cristo, Seus discípulos muito amados.

Isabel Moraes Marques

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