“Ide e Evangelizai na Força do Espírito Santo”
Síntese dos ensinamentos
No número anterior fizemos uma reportagem das duas assembleias
celebrativas dos 35 anos do Renovamento Carismático Católico em Portugal, promovidas
e coordenadas pela Comunidade Pneumavita, em Fátima, nos dois primeiros fins
de semana de Novembro, como é habitual. O tema geral das assembleias, que decorreram
sob a direcção espiritual do Rev. Pe. Lapa, foi “Ide e evangelizai na força
do Espírito Santo”. No seguimento desse artigo, vamos apresentar um resumo dos
ensinamentos então proferidos pelo Rev. Pe. Alfredo Neres, que foi o orador
convidado.
A celebração deste aniversário foi o momento que o Senhor nos indicou para o
lançamento de mais um livro do Pe. Neres e cujo título é “Ide, anunciai o Evangelho,
curai os doentes, expulsai os demónios”. Dada a relevância que o ministério
carismático das curas e da libertação espiritual voltou a assumir nos últimos
decénios, parece-nos adequado começar por recomendar a leitura atenta do último
capítulo deste livro, que é como que o suporte que justifica os ensinamentos
feitos pelo Pe. Neres, as acções a que deu corpo e os testemunhos de vida que
tão generosamente prestou.
No seu último livro, o Pe. Cantalamessa, pregador da Casa Papal, diz-nos assim:
“O carisma das curas é um ministério que perpetua as curas realizadas por Jesus
no poder do Espírito Santo… A utilidade deste carisma é a mesma que vemos no
Evangelho: mostrar o amor e a ternura de Deus perante o sofrimento humano”.
E o Cardeal Cordes, actualmente Presidente do Conselho Pontifício “Cor Unum”,
escreve: “No nosso tempo, em atenção às multidões de sofredores, o Espírito
Santo mais uma vez parece enfatizar os dons da cura”. O Pe. Neres, sacerdote
missionário comboniano, piedoso arauto da Palavra e discípulo que ousadamente
cumpre os ensinamentos do Mestre, por Quem desde muito jovem se apaixonou, mostrou-nos,
através dos seus ensinamentos e da sua prática, o poder que Jesus tem sobre
as doenças e sobre os demónios, e como Ele se serve hoje de pessoas que escolhe,
às vezes bem pequenas e fracas, para continuarem a Sua obra salvífica.
Continuadores da missão de Cristo
Na apresentação que começou por fazer na sexta-feira à noite, após a saudação
das dioceses presentes e entrada solene de Nossa Senhora no auditório, o Pe.
Neres afirmou que o Espírito Santo suscitou o aparecimento do Renovamento Carismático
na Igreja Católica para que, através de todos aqueles que fazem a sua caminhada
nesta espiritualidade, a Igreja possa ser renovada. “Ide e evangelizai na força
do Espírito Santo”, manda Jesus a toda a Igreja. Nós somos a Sua Igreja. Ele
vai enviar-nos e nós vamos aceitar. A missão começa aqui e leva-nos até ao fim
do mundo. Nos dias de hoje, somos os representantes de Jesus e, através de nós,
Ele vai manifestar-se: “Quem vos ouve, ouve-me a mim; quem vos recebe, recebe-me
a mim”. E logo no dia da Ressurreição, disse: “Assim como o Pai me enviou, assim
vos envio a vós”.
A efusão do Espírito Santo é uma das grandes forças do Renovamento Carismático,
mas tem de haver muitas infusões do Espírito para depois poder haver efusões.
Temos de nos abrir à acção do Espírito, temos de nos deixar penetrar pela Palavra
de Deus e temos de ouvir Jesus e permanecer n’Ele. Só assim seremos verdadeiramente
Seus discípulos, e os verdadeiros discípulos seguem o Mestre e fazem o que o
Mestre faz. Vamos continuar hoje a missão de Cristo porque hoje Ele vem ao nosso
encontro e conf ia-nos a mesma mensagem que confiou aos Apóstolos no dia da
Sua ascensão aos céus: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda
a criatura. Aqueles que acreditarem, em meu Nome expulsarão os demónios, imporão
as mãos aos doentes e eles ficarão curados”, pondo à nossa disposição todos
os poderes que então lhes conferiu e que agora nos confere a nós para que os
possamos usar.
Preparemo-nos, pois, convenientemente, para uma nova e grande efusão do Espírito
Santo. Deste modo, sairemos desta assembleia com aquela força com que os Apóstolos
saíram do Cenáculo no dia de Pentecostes, para levarmos a mensagem da salvação
a quantos encontrarmos no nosso caminho, anunciando autenticamente o Evangelho,
curando os doentes e expulsando os demónios.
1º Ensinamento
Maria, mãe e mestra da Igreja, modelo de todos os evangelizadores
Vamos dedicar este primeiro ensinamento à escuta da Palavra de Deus, que nos
fala de Maria, para descobrirmos nela o nosso modelo e guia no seguimento de
Cristo sob a acção do Espírito Santo. Escutemos e meditemos no passo evangélico
da Anunciação, conforme nos é relatado por S. Lucas, e vejamos Maria sob quatro
aspectos:
1 – Maria, modelo dos evangelizadores que acolhem Cristo no seu seio
– Maria, humilde rapariga da aldeia de Nazaré, está em casa, não sabemos a fazer
o quê; está cheia de graça porque o Senhor está com ela. Imaculada desde a sua
concepção no seio materno, o seu coração está cheio de Deus, que nele ocupa
sempre o primeiro lugar. O sim de Maria faz-nos duas interpelações: primeira
– sermos puros de coração como ela, deixando que o Espírito Santo nos santifique
e fiquemos totalmente abertos à acção e à vontade de Deus; segunda – deixarmo-nos
fecundar pelo Espírito Santo, para que Ele gere em nós Cristo e nos transforme
à Sua imagem, trabalhando em nós e através de nós. Em nós como em Maria, a natureza
humana une-se com a natureza divina: Cristo fica a viver em nós e nós n’Ele.
2 – O ícone da visita de Maria a Isabel – a missão de Maria e a nossa –
A presença de Jesus e do Espírito Santo em Maria não ficou infrutífera. A partir
daquele dia, Maria iniciou a sua missão, indo partilhar com Isabel a sua experiência
de fé e de encontro com Deus. Quando levava no seu ventre o Verbo encarnado,
ela tornou-se o primeiro sacrário da história para o Filho de Deus que, ainda
invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel. No seguimento
de Maria, também nós somos outros tantos sacrários porque somos habitação de
Deus (cf. Jo 14, 23). Levamos Cristo connosco e somos a Sua presença no mundo.
3 – Maria, mulher de oração – Perante os elogios de Isabel, Maria não
se enche de orgulho, não se vangloria pelos seus méritos, mas canta o “Magnificat”,
o que é para nós um grande exemplo, pois devemos sempre louvar o Senhor pelas
maravilhas que Ele realiza em nós. Maria estava presente nas bodas de Caná para
interceder junto do Filho; estava presente no meio dos Apóstolos, orientando-os
na oração para invocar o Espírito Santo, e, se nos unirmos a ela, também hoje
vai guiar a nossa oração. E certamente que Maria não poderia deixar de estar
presente nas celebrações eucarísticas da primeira geração de cristãos, que eram
assíduos à “fracção do pão” (Act 2, 42). Aos pés da Cruz, Maria foi-nos dada
por mãe e nós fomos-lhe entregues como filhas e filhos. Foi Maria que deu a
Jesus aquele corpo que Ele entregou por nós sobre a Cruz e aquele sangue que
Ele derramou por nós na Cruz.
“Feliz aquele que acreditou”, disse Jesus, e Maria acreditou. Se não, não teria
sido a mãe de Deus. Acreditemos nós também que, cada vez que recebemos a Eucaristia,
o mesmo Espírito que transformou o pão e o vinho no Corpo e no Sangue do Senhor,
vem a nós e vai transformar-nos, fazendo de nós outros Cristos.
4 – São Paulo e a Mulher – São Paulo fala-nos uma só vez de Maria e
não cita o seu nome. Mas, na sua visão, aquela Mulher foi o instrumento de que
Deus se serviu para nos enviar o Seu Filho (Gal 4, 4-7).
2º Ensinamento
Jesus conduzido pelo Espírito Santo
Jesus, investido pelo Pai, no poder do Espírito Santo, deixa-se conduzir por
Ele na sua missão messiânica, durante toda a Sua vida pública. Vejamos os seguintes
pontos:
1 – O baptismo de Jesus – Jesus, depois de baptizado, estava a rezar.
Então o Céu abriu-se “e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea,
como uma pomba. E do Céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho muito amado; em Ti
pus o meu encanto’” (Lc 3, 22). Como Cristo, todos os baptizados, no dia do
Baptismo, recebem essa investidura no Espírito Santo que faz deles filhas e
filhos de Deus.
2 – Guiado pelo Espírito, faz um retiro de 40 dias - Após o Baptismo,
“cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao
deserto, onde esteve durante 40 dias e era tentado pelo diabo” (Lc 4, 1-2).
Foi durante aquele grande retiro de 40 dias que Jesus, em diálogo com o Pai
e com o Espírito Santo, estabeleceu o seu programa messiânico. Feito o programa,
Jesus lança-se para a acção, deixando-se guiar pelo Espírito Santo para poder
fazer a vontade do Pai.
3 – Começa a Sua act ividade evangelizadora com a força do Espírito
– “Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se
por toda a região. Ensinava na sinagoga e todos o elogiavam” (Lc 4, 14-15).
Depois Lucas conta-nos que Jesus foi à cidade de Nazaré, onde tinha sido criado,
e, no sábado, foi à sinagoga e fez a leitura do profeta Isaías (cf. Lc 4, 16-19).
“Desceu, depois, a Cafarnaum, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado.
E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade” (Lc 4,
31-32). Seguidamente, Lucas refere vários episódios: o homem possuído por um
espírito maligno que, à ordem de Jesus, saiu dele, a cura da sogra de Simão,
muitos doentes que curou, impondo as mãos a cada um e muitas pessoas possuídas
que libertou. Jesus quer que hoje façamos aquilo que Ele fazia: impor as mãos
aos doentes e rezar por eles com confiança para que sejam curados e libertados.
4 – Jesus não trabalha sozinho mas escolhe um grupo de discípulos –
“Certo dia, estando Jesus junto do lago de Genesaré…” e Lucas continua, contanto
como é que Jesus abordou os pescadores que viriam a ser os Seus primeiros discípulos,
que abandonaram tudo e O seguiram depois do episódio da pesca milagrosa; à vista
deles, para que aprendessem como fazer, curou um leproso e um paralítico, perdoou
os pecados à prostituta arrependida e denunciou o farisaísmo de Simão.
5 – A eleição dos doze – Jesus foi para o monte e, depois de uma noite
de oração, convocou os discípulos e escolheu doze de entre eles, aos quais deu
o nome de Apóstolos. Ninguém trabalha sozinho; em todos os ministérios, o trabalho
deve ser feito em grupo. A colaboração entre todos é fundamental. Outro aspecto:
quando temos coisas importantes a fazer na vida, devemos entregar-nos à oração,
se possível em frente do sacrário, e sempre com a Bíblia na mão: “Diz-me, Senhor,
o que queres que eu faça”. Se eu quiser fazer coisas por mim próprio, sem rezar
durante uma ou duas horas, passo o dia a perder tempo e sem conseguir fazer
nada. Por isso, o meu dia começa sempre por estar um longo tempo diante do sacrário,
ali bem pertinho do “nosso Jesus”.
3º Ensinamento
A promessa do Espírito Santo
Jesus tocava os doentes, impunha-lhes as mãos e eles ficavam curados e libertados.
Este poder está na Igreja; temos autoridade e poder para dar uma ordem à doença
e a doença sai. Mas se a nossa fé for pequenina como um grão de mostarda, nada
conseguiremos. É este poder que somos chamados a exercitar sob a força do Espírito
Santo: fazer a oração a pedir e começar logo a louvar, acreditando que já recebemos
o que pedimos. Jesus disse: “Aqueles que tiverem fé, imponham as mãos”; nunca
disse “Aqueles que tiverem o dom da cura…”. É uma questão de fé, de acreditar
que aquilo que eu digo se vai realizar.
1 – A promessa do Espírito Santo no Antigo Testamento – É muito importante
lermos e meditarmos a Palavra de Deus para vermos como o Espírito Santo está
em acção no mundo desde o início. No livro de Génesis, o Espírito de Deus é
apresentado como um Espírito fecundador, um sopro vital, precisamente aquilo
que professamos no Credo: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida…”.
E todos os profetas maiores acentuam a importância do Espírito Santo. Por exemplo,
Ezequiel apresentanos um Espírito que transforma os corações endurecidos em
corações sensíveis; um Espírito que dá a vida aos ossos ressequidos, que tudo
renova, que faz ressuscitar os mortos; um Espírito que é um rio de água viva
que vivifica todos os seres que nele se movem e que mantém verdes as árvores
plantadas nas suas margens. Joel diz que o Espírito Santo vai ser derramado
sobre todas as criaturas e Isaías enumera os dons através dos quais o Espírito
se comunica.
2 – O dom do Espírito Santo no Novo Testamento – O Espírito Santo é
o dom do Pai à humanidade, para nos adoptar como filhas e filhos do Seu amor
e para nos renovar continuamente à imagem de Cristo. Ele concede esse dom a
quem Lho pede: “Se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem” (Lc
11, 13). Jesus promete-O à samaritana; Jesus quer dá-l’O a toda a gente. Durante
a Última Ceia, promete o Espírito Santo para continuar a Sua obra, cumpre a
promessa no dia de Pentecostes e é o Espírito Santo que suscita os novos ministérios
na Igreja nascente (ver Act 6, 1-8). O Espírito Santo era dado pela imposição
das mãos dos Apóstolos (ver Act 8, 15-18) e é também o Espírito Santo que escolhe
e envia os novos Apóstolos: “Certo dia, enquanto faziam uma reunião litúrgica
em jejum, o Espírito Santo disse: ‘Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de
fazerem o trabalho a que eu os chamei’” (Act 13, 1-3).
O Espírito Santo transforma a maneira de ser da pessoa; se O temos no coração,
tornar-nos-emos numa nascente a jorrar água viva e deste rio de água viva nos
vem a força que alimenta a nossa peregrinação para a vida eterna. No Renovamento,
se não desistirmos de caminhar assiduamente, mergulhando pouco a pouco neste
rio de água viva, receberemos essa força que nos renova a partir de dentro.
Tudo vem do Pai, tudo passa pelo Filho e chega a nós pelo Espírito. O Espírito
Santo é que Se comunica a nós e nós somos a morada onde os Três habitam. Esta
inabitação de Deus é a coisa mais maravilhosa que podemos desejar: o nosso corpo
é a morada de Deus, cada um de nós é um céu onde Ele habita; por isso, devemos
sempre conservar e respeitar o nosso corpo.
4º Ensinamento
“Estarei sempre convosco até ao fim do mundo”
1 -
“Isto é o meu Corpo” – Para cumprir a Sua promessa, Jesus instituiu o sacramento
da Eucaristia. Hoje, Jesus repete: “Tomai e comei o meu Corpo que, hoje, entrego
por vós. Tomai e bebei o meu Sangue que, hoje, derramo por vós para a remissão
dos vossos pecados”. São Paulo convida-nos a repetir a celebração da Eucaristia
“até que Ele venha” (1 Cor 11, 26).
2 - “Eu sou o Pão da vida” – Cristo passa
a ser um só corpo com quem O come: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive
em mim” (Gal 2, 20). Assim, o encontro com Cristo na Eucaristia faz de nós um
templo vivente da Santíssima Trindade.
3 – “Permanecei em mim” – A alegoria
da videira começou a sua realização no dia do nosso baptismo, quando fomos enxertados
em Cristo pelo Espírito Santo que nos foi dado, e actualiza-se na recepção da
Eucaristia. As varas, que somos nós, são enxertadas na cepa, que é Cristo. Perfeitamente
unidos a Cristo, passamos a dar os Seus frutos, para alimentar as pessoas que
d’Ele estão famintas, e as Suas folhas, para curar as nações. Assim, quando
pedimos, é o próprio Cristo que pede juntamente connosco e o Pai não pode negar
ao Filho o que Ele Lhe pede (Jo 15, 1-7).
4 – Como fez com os discípulos de
Emaús, Jesus vem caminhar lado a lado connosco – Naquele dia, Cristo caminhava
ao lado dos discípulos; hoje, caminha dentro de nós. Os discípulos ouviam-n’O,
viam um homem sem O reconhecer. Hoje, Cristo fala-nos quando lemos as mesmas
Escrituras que Ele lhes explicava. Já não ouvimos uma voz que vem de fora, mas
de dentro, pois Ele vive em nós. Jesus aceitou o convite de ficar com eles;
hoje, encontra também as Suas delícias em estar connosco.
5 – Reconhecê-l’O
ao partir do Pão – Este é o grande desafio para nós, hoje: reconhecer que aquele
Pão partido é esse mesmo Cristo que os discípulos viram pregado numa cruz e
que caminhou lado a lado com eles.
6 – Do encontro à missão – “Levantando-se,
voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus
companheiros…E contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus
Se lhes dera a conhecer ao partir do Pão”. A missão é, antes de mais, anunciar
e testemunhar aos outros “o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos
e que as nossas mãos tocaram, acerca do Verbo da Vida” (1 Jo 1, 1-4).
7 – Cristo
Eucarístico, centro da nossa vida – É com alegria que a Igreja experimenta,
de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: “Estarei sempre
convosco até ao fim do mundo” (Mt 28, 20). E na sagrada Eucaristia, pela conversão
do pão e do vinho em Corpo e Sangue do Senhor, ela goza desta presença com uma intensidade sem par porque na Eucaristia
está contido todo o tesouro espiritual da Igreja – a carne de Cristo, vivificada
e vivificadora pelo Espírito Santo.
8 – Adoração Eucarística – É uma fonte inesgotável
de santidade. A presença de Jesus no sacrário deve constituir como que um pólo
de atracção para um número cada vez maior de pessoas, enamoradas d’Ele e capazes
de permanecer longamente a olhá-l’O, a adorá-l’O e a escutar a Sua voz.
O Espírito
Santo chamou-nos para renovar a Igreja. É isso que Jesus quer do Renovamento
Carismático: fazer de nós homens e mulheres novos, aqueles que já deram um salto
na fé, reconhecem em Jesus Cristo o Filho de Deus e se alimentam da Sua Carne
e do Seu Sangue. Em Jesus nós conhecemos Deus, vimos Deus, tocamos Deus. A terminar
este belíssimo ensinamento, fezse a invocação dos dons do Espírito Santo sobre
toda a assembleia: pondo a nossa mão esquerda sobre o ombro da pessoa que estava
ao nosso lado esquerdo e a mão direita dirigida para a multidão que estava à
nossa frente, ligámo-nos ainda mais uns aos outros e a nossa oração era como
que um canto harmonioso subindo ao Céu. Terminou-se com uma oração de cura e
libertação.
5º Ensinamento
“Proclamai o Evangelho a toda a criatura”
Antes de
voltar para junto do Pai, Jesus enviou os discípulos pelo mundo inteiro com
os mesmos poderes que Ele tinha recebido do Pai. Hoje, toca-nos a nós continuar
essa missão, indo anunciar com o mesmo entusiasmo com que os discípulos de Emaús
o fizeram, para que o fogo de Amor que incendeia os nossos corações, o Espírito
Santo, possa propagar-se pelo mundo. Temos de sentir e cumprir o dever imperioso
de O dar a conhecer. É o envio missionário da Igreja do Senhor.
Muitos são os
textos sobre este envio e podemos encontrá-los após a ressurreição,
no final de cada evangelho. Jesus fez aos discípulos determinadas recomendações
que hoje repete para nós, seus continuadores, para O anunciarmos ao mundo e
para a renovação da Igreja. Evangelizar é viver de acordo com o Evangelho, é
mostrar ao mundo que só Cristo é capaz de preencher totalmente a nossa vida
porque, com a Sua morte e ressurreição, abre para a humanidade horizontes de
esperança e de fidelidade. Jesus escolheu determinados homens a quem confiou
uma missão especial e, hoje, Jesus continua a escolher e a chamar alguns e algumas
para que se tornem como que a Sua transparência no meio do Seu rebanho, aptos
para grandes realizações, porque se deixam encher e guiar pelo Seu Espírito,
o que faz com que estabeleçam com Jesus um contacto íntimo e profundo.
O Mestre
está sempre disponível para colaborar com cada um de nós, tal como cooperou
com os primeiros discípulos. Abramos de par em par as portas do nosso coração
e digamos ao Senhor: “Senhor, eis-me aqui à Tua disposição. Estou disponível
para Te servir. Tu conheces as minhas capacidades; então, dá-me aqueles dons
de que preciso para realizar a obra que me vais confiar, onde quiseres e quando
quiseres”.
Quando os Apóstolos começaram a exercer os poderes que Jesus lhes
tinha confiado, muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas
suas mãos. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, “trazendo
doentes e pessoas atormentadas por espíritos maus. E todos eram curados” (Act
5, 12-16). Os leigos começaram também a exercer esses poderes. Aliás, já no
tempo de Jesus, alguns leigos que nem sequer eram discípulos expulsavam os demónios
em nome de Jesus (Mc 9, 38-40). É importante notar que Jesus nos disse para
cumprirmos aquilo que Ele ensinou e não aquilo que nos passa pela cabeça, segundo
os nossos caprichos. Por isso, é preciso conhecer muito bem aquilo que Ele nos
ensinou e isso só é possível através da leitura e meditação assíduas da Palavra
de Deus. As curas e os milagres são sempre uma confirmação do poder da Palavra.
São Paulo assumiu como causa própria o anúncio do Evangelho. Entre as muitas
vezes que o afirmou, escolhemos palavras da carta que escreveu à comunidade
de Filipos quando estava preso em Roma: “Os que pregam a Cristo por amor, sabem
que estou designado para a defesa do Evangelho; e a maior parte dos irmãos no
Senhor, é pela confiança ganha devido às minhas prisões que têm ainda mais coragem
para, sem medo, anunciar a Palavra, e o que importa é que Cristo seja anunciado”
(cf. Fl 1, 12-12-18).
Encerramos o artigo com as palavras com que D. Joaquim
Mendes, que presidiu à Eucaristia final em representação
da Comissão Episcopal Portuguesa, concluiu a sua homilia:
“Aqui em Fátima, terra
sagrada, termino desejando que, como Maria Santíssima, aquela que se consagrou
plenamente à obra do Filho de Deus, acolhamos generosamente a vontade do Senhor,
muitas vezes misteriosa mas santificadora e salvadora, e que sempre nos envia
numa missão de paz. Que tudo o que aprendestes nestas assembleias celebrativas
vos faça sentir o dever imperioso de O dar a conhecer. Então, ide e evangelizai
na força do Espírito Santo”.
Isabel Moraes Marques