PAI-NOSSO


A oração faz parte da vida do povo judeu. Os judeus piedosos voltavam o seu espírito para Deus várias vezes ao dia. Jesus aprende a orar com o povo e a sua tradição. Como bom judeu, aprendeu a rezar em família e na sinagoga. No seu ministério, a sua oração adquire uma particularidade: sua proximidade com Deus, "seu Abbá". Lucas descreve-o várias vezes em oração (3,21; 5,16; 6,12; 9,29). Os exegetas reconhecem em Lucas, a transmissão mais fiel da oração do Pai-Nosso e que é a mais breve. Do aramaico passou ao grego e assim o incluiu Lucas na sua narração.

PAI, SANTIFICADO SEJA O TEU NOME: ou seja, que Deus seja conhecido, dado a conhecer, louvado, amado, bendito, glorificado e agradecido por todos os povos do mundo. Que o nome do Senhor, ou seja, o mesmo Deus, receba estima, amor, veneração e piedosa adoração por todos e cada vez mais. Há que tornar a reparar na ordem da oração no Pai-Nosso: primeiro, que Deus seja reverenciado e amado.

VENHA O TEU REINO: é uma oração missionária. O que os missionários procuram é fazer com que Deus reine nas pessoas dos locais onde trabalham. E é o que todos nós devemos desejar, pedir e buscar em todos os tempos: que Deus reine. Que venha o seu reino. Se primeiro buscamos o reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo. É um desejo de que Deus reine na nossa mente, no nosso coração, na nossa casa, na sociedade, no país e no mundo inteiro. E em quantas nações e pessoas, no entanto, ele não reina!

DÁ-NOS O PÃO DE CADA DIA: pedimos para cada dia o pão, sem nos preocuparmos com o futuro, porque Deus estará também no futuro e Ele proverá. Como o Maná do deserto, o pão de cada dia é um dom maravilhoso da bondade do Senhor. Com esta petição do pão diário estamos querendo pedir-lhe que nos livre do desemprego, das inundações e secas que acabam com as culturas, das guerrilhas que impedem os camponeses de recolher as suas colheitas, emprego para o marido que tem que manter uma família, ajudas económicas para essa mãe abandonada, protecção para o idoso marginalizado pela sociedade. O corporal e o espiritual. Todos os dias necessitamos deles, por isso temos que lho pedir todos os dias.

PERDOA-NOS NOSSOS PECADOS, COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS OFENDE: o perdão é uma arte que se consegue com infinitos exercícios. Santo Agostinho ensina que, a alguns, Deus não escuta a oração que lhe fazem, porque não perdoaram primeiro aos que os ofenderam, ou não pediram perdão ao Senhor por seus pecados. Sem pedir-lhe desculpas pelos desgostos que lhe temos causado, como queremos que nos conceda as graças que lhe estamos suplicando? É uma lembrança muito oportuna para que não nos ocorra a mentirosa ideia de nos julgarmos bons. Deus impõe uma condição para nos perdoar: não podemos obter perdão do céu, se não perdoarmos na terra. No dia do juízo não terás desculpas: julgar-te-ão da forma como tiveres julgado. Condenar-te-ão se não quiseste perdoar ao teu próximo e absolver-te-ão se soubeste perdoar sempre.

E LHES DARÁ O ESPÍRITO SANTO: o objectivo final e o conteúdo da oração cristã é receber o Espírito que é capaz de renovar a face da Terra, incluindo a nós próprios. O Espírito Santo é a força que vem do alto, com poder avassalador que dissipa os vícios e nos traz muitos bons pensamentos e desejos. O Espírito Santo quer ser nosso Hóspede, e é enviado pelo Pai Celestial se lho pedirmos com fé e perseverança. O Espírito Santo é o que nos faz compreender a Sagrada Escritura. O Espírito Santo quando vem, oferece-nos: orar melhor, arrependermo-nos dos nossos pecados e desejar dedicarmo-nos a agradar a Deus. As pessoas viam Jesus orar com tanta devoção e notavam que o Pai escutava de maneira tão admirável as suas orações, que sentiam o vivo desejo de aprender com Ele como se deve orar para ser melhor atendido pelo Altíssimo. E havia a tradição, o costume, de que os mais afamados mestres espirituais ensinavam aos seus discípulos, métodos fáceis e práticos de orar, pois a oração, como toda a boa arte, necessita de um mestre que guie o principiante. João Baptista havia ensinado aos seus seguidores alguns métodos práticos de fazer oração e agora a Jesus pedia-se-Lhe também este grande favor. É que uma arte não se aprende sem um bom mestre. E orar é uma arte. Esta deveria ser uma das nossas mais frequentes e fervorosas petições a Jesus: Senhor, ensina-nos a orar! Se Jesus não nos ensinar a arte de orar, estaremos sempre perdidos nesta tarefa tão nobre e difícil. Devemos aprender a "orar", ou seja, a falar com Jesus, com seu Pai e nosso Pai e com o Santo Espírito, com o amor e a confiança de filhos muito amados. Aprender a orar de tal maneira que a nossa oração seja sempre escutada. Que o nosso orar não seja somente pedir, senão também, adorar, agradecer e amar. Digamos a Jesus: "Ensina-nos a orar", não somente com nossos lábios, mas a partir do nosso coração e com toda a atenção para que seja como dizia Sta Teresa: "um falar com um Deus que sabemos que nos ama imensamente". Senhor, ensina-nos a orar! As quatro condições da oração são:

ATENÇÃO: porque se não tivermos atenção no que dizemos a Deus, como podemos pretender que Ele preste atenção ao que lhe estamos a pedir?

HUMILDADE: reconhecer que não temos nada, que não tenhamos recebido e por isso mesmo pedimos para sermos escutados.

CONFIANÇA: recordando que o Senhor Deus nos ama muito mais do que a melhor das mãe ama os seus filhos.

INSISTÊNCIA: como Abraão, quando intercede por Sodoma: sem se cansar de pedir.

A oração é uma página em branco. Em cima diz: "Dar-lhes-ei tudo que necessitarem se mo pedirem com fé". Em baixo, está assinado: "Deus".
Que escrevemos em todo este espaço em branco? Ou seremos tão loucos que não escrevemos nada? Com a ajuda do Espírito Santo, o grande mestre e guia que nos faz compreender devidamente a Sagrada Escritura, meditemos uns minutos sobre a mais bela oração do mundo, o Pai-Nosso, a oração em que empregamos as mesmas palavras de Jesus e que deve ser muito agradável ao Senhor.

O Pai-Nosso compõe-se de duas séries de petições: as primeiras referem-se a Deus e as segundas, mais numerosas, referem-se a nós. Somente depois de termos pedido que Deus seja glorificado, devemos atrever-nos a pedir que nós sejamos socorridos. Tertuliano dizia que o Pai-Nosso é o resumo de todo o Evangelho. E S.Cipriano afirma que ao Pai-Nosso não lhe falta nada para ser uma oração completa. A primeira palavra, PAI, é o nome que Jesus nos ensina a chamar a Deus. Dizem certos autores que a notícia mais bela que nos trouxe Cristo, é que Deus é nosso Pai e que lhe agrada que o tratemos como a um papá muito amado. S.Paulo dirá: "não recebemos um espírito de temor, mas sim um espírito de filhos adoptivos que nos faz exclamar: Abbá, Pai! (Rom 8,15). Não temos um Deus distante, é um papá muito chegado. Nenhum de nós é orfão. Ninguém se sinta desamparado; todos somos filhos do Pai mais amável que existe. E se temos um mesmo Pai, somos todos Seus filhos, portanto devemos reconhecer-nos e amar-nos como irmãos. Se lhe chamamos Pai, amemo-lo como a um bom pai e não sejamos pouco carinhosos para com Ele (Orígenes). Deus, pois, é um pai que conhece muito bem tudo o que necessitam os seus filhos e se deleita em ajudá-los e sente enorme satisfação cada vez que pode socorrê-los. Ele ajuda-nos, não porque nós sejamos bons, mas porque Ele é bom e tem generosos sentimentos. Provavelmente, não nos teríamos atrevido a chamar a Deus de nosso Pai, se Jesus não nos tivesse ensinado a chamar-lhe assim. Não esqueçamos, a oração é o meio mais seguro para obter de Deus as graças que necessitamos para nossa salvação (S.Alfonso).

Pe. Marco Túlio

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