O RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO EM LISBOA
Audiência particular com o Senhor Cardeal Patriarca
A carta enviada ao Senhor Cardeal Patriarca, D. António Ribeiro, no dia 4 de Fevereiro, teve resposta imediata, através de um telefonema do Secretário de Sua Eminência, marcando-me uma audiência particular com o Senhor Patriarca, para o dia 6 às 18.30h.
Esta audiência particular foi uma graça extraordinária não só para mim como para o Renovamento Carismático Católico.
O Senhor D. António Ribeiro recebeu-me de modo muito cordial. Durante algum tempo contei-lhe, em pormenor, o que na carta dizia sumariamente: a minha experiência em Roma, o início do Renovamento no Santuário de Fátima, relatando, também, o que estava a acontecer na Casa Espiritana de Lisboa.
O Senhor Patriarca ouviu-me atentamente e depois disse-me:
Pe. Lapa, eu dou graças a Deus pela sua experiência carismática em Roma e pelo que está a acontecer entre nós. Conheço o livro "Une nouvelle Pentecôte?" do Cardeal Suenens, com o qual já dialoguei, várias vezes, sobre este fenómeno religioso moderno, fruto do Vaticano II. Dou graças a Deus por também, em Portugal, estar a germinar, a partir das bases, esta renovação do Espírito Santo.
Percebi, nesta audiência, que o Senhor D. António Ribeiro, estava bem documentado e conhecia, por dentro, a história, a natureza e a dinâmica do Renovamento Carismático Católico. Depois disse:
Fale aos seus superiores e pode prosseguir; tem o meu apoio, aprovo e abençoo o seu grupo e o Renovamento Carismático Católico em Lisboa.
Quando lhe entreguei, como oferta, o livro do Cardeal Suenens "Une nouvelle Pentecôte?" o Senhor Patriarca disse-me: O P.e Lapa, traduza e divulgue esse livro em Portugal.
O livro só não foi publicado pela Editorial L.I.A.M. (já havia alcançado a autorização do meu Provincial e seu Conselho), porque os direitos de tradução já haviam sido cedidos às Edições Paulistas.
Quase ao terminar esta audiência, o Senhor Patriarca sugeriu-me: fale com o Reitor do Seminário dos Olivais para que os seminaristas participem nessas reuniões. Pode também convidar alguns sacerdotes do Patriarcado, nomeadamente sacerdotes que estão a trabalhar com jovens.
Segredou-me que estava a pensar, após as eleições, convidar o Cardeal Suenens a vir a Portugal para falar desta renovação no Espírito Santo. Foi também de opinião que eu deveria organizar, com os mais comprometidos, uma pequena equipa de discernimento e coordenação de actividades, já que isto me começava a ultrapassar. Ao falar-lhe do Congresso internacional a realizar em Roma, no Pentecostes (Maio próximo), o Senhor D. António incentivou-me a selecionar um pequeno grupo que me acompanhasse, para um melhor conhecimento e uma vivência mais profunda do movimento carismático. No Pentecostes de 1975, um grupo de sacerdotes, religiosas e leigos, num total de 17 pessoas, participou neste Congresso internacional, como mais à frente relatarei.
E, na hora da despedida, o Senhor Patriarca, ao dar-me a sua benção de Pastor, extensiva a esta actividade carismática, disse-me que iria rezar para que também, em Portugal, como noutras partes do Mundo, Deus derramasse os dons do Seu Espírito para a renovação da Igreja.
Ao deixar o Patriarcado eu vinha inundado de paz, de alegria, de felicidade, certo de que esta obra não era minha mas de Deus. Senti que este encontro eclesial havia sido uma graça do Senhor para que este Fogo do Espírito (Labat) alastrasse por toda a parte.
Como Maria, eu louvava o Senhor e meditava nas palavras que o meu Bispo me havia dirigido, sinalizando com luz e força a trajectória do caminho a percorrer...
A luz verde do meu Superior Religioso
Neste ano de 1975 ainda era Provincial dos Espiritanos em Portugal o Pe. José Gonçalves de Araújo, o mesmo que me permitiu fazer a reciclagem teológica, em Roma, no ano lectivo de 1973-1974. Passados 20 anos de actividade pastoral na L.I.A.M. ele e eu concordamos em fazer esta paragem de um ano, habitualmente chamado, entre nós, "ano sabático".
Ao regressar de Roma, novamente colocado na L.I.A.M., em Lisboa, confidenciei-lhe a minha experiência carismática em Roma. Fui-lhe relatando o que acontecera em Fátima, onde germinou o Renovamento Carismático Católico, e o que estava a acontecer com as Assembleias dos primeiros Domingos, aqui, em nossa Casa da Estrela. Homem bom, compreensivo e dialogante (o Senhor já o chamou para o Céu), o Pe. Gonçalves de Araujo, apaixonado pelo Espírito Santo ao qual a Congregação está, de modo particular, consagrada, logo se apercebeu que aqui estava o dedo de Deus e, desde a primeira hora facilitou-me este trabalho pastoral. Depois de lhe contar o que acontecera com a audiência particular que o Senhor Patriarca me havia concedido, pediu-me para que escrevesse, para ele e para o seu Conselho Provincial, um breve relatório da história do Movimento Pentecostal Católico, da minha experiência em Roma e do que estava a acontecer em Portugal. De bom grado escrevi esse pequeno Relatório. Entreguei-lho no dia 4 de Março de 1975, altura em que se realizava o Conselho Provincial, no Seminário do Fraião, em Braga.
Com data de 6 de Março de 1975, o Pe. Provincial escrevia-me a carta que transcrevo:
Fraião-Braga, 6 de Março de 1975
Amigo Pe. Lapa
Bom dia! Que o Espírito Santo seja cada dia mais o nosso traço de união. Creio que a nossa reunião do Conselho já passou de meio e, ontem, à tarde, aprovou a luz verde que lhe dei para continuar empenhado na difusão do Movimento Pentecostal Católico, pedindo, no entanto, para não descurar o nosso Movimento de Animação Missionária.
Aprovou também a tradução e publicação, pela nossa Editorial, do livro do Cardeal Suenens, insistindo que nos dessemos pressa em assegurar os direitos de tradução e difusão em língua portuguesa. Poderia V.R. tratar de pedir esses direitos ou tratar dos trâmites necessários para o conseguir. Creio que também já temos tradutor, embora este só em possibilidade que, seguramente, se confirmará.
Até breve!
Um abraço na amizade do Espírito Santo
Pe. José Gonçalves de Araújo
Esta carta deu-me plena luz verde para, em união com o Bispo e o meu Superior Maior, prosseguir este trabalho: difundir este "movimento" cujo objectivo fundamental é levar os cristãos a viver, cultivar e difundir a devoção, o culto, a consagração ao Espírito Santo, fazendo a experiência da vida nova no Espírito, renovando, de modo particular, pela "efusão do Espírito" (ou Baptismo no Espírito), a graça do Baptismo e da Confirmação. Através desta actividade pastoral, que, mais que "movimento", é uma espiritualidade para toda a Igreja, se dá o devido relevo à Pessoa e acção do Espírito Santo, alma da Igreja, "motor e motorista da Nova Evangelização".
O livro "Une nouvelle Pentecôte?" só não foi publicado pela Editorial L.I.A.M. porque os direitos de tradução e publicação já haviam sido concedidos às Edições Paulistas, onde pode ser encontrado.
P.e José da Lapa
Missionário do Espírito Santo