A CRUZ E O PUNHAL




(conclusão)

" Sê forte e valente! Não temas nem te aterrorizes à vista deles. Pois o Senhor teu Deus vai contigo; não te deixará sucumbir nem te abandonará"( Dt 31, 6)

Recebidas as chaves daquela linda mansão que Deus providenciara para Centro e lar do projecto "Desafio Jovem", o passo que se seguiu foi limpar o lixo acumulado ao longo dos anos e proceder a obras de reestruturação. Respondendo ao apelo de várias Igrejas, dezenas de nova-iorquinos voluntarizaram-se para as tarefas necessárias, incluindo homens de negócios e artistas famosos que se encarregaram da angariação dos fundos necessários.

Foi deliberado, em oração, um esquema de funcionamento que pudesse dar corpo ao projecto, baseando-se no trabalho de rua de vinte jovens obreiros, devidamente preparados e especializados. Após uma manhã de oração e estudo da Sagrada Escritura, os obreiros sairiam ao encontro não só das quadrilhas de adolescentes, mas também daquela jovem população flutuante que vivia pelas ruas dos bairros mais degradados de Nova Iorque, em extrema pobreza e solidão e completamente viciada em drogas, álcool e prostituição. Os casos mais graves seriam levados para o lar para serem devidamente tratados e aí viveriam até à sua total recuperação; os outros seriam entregues a um pastor que morasse perto e que trabalharia em interacção com o Centro.

O trabalho dos obreiros era muito arriscado e praticamente feito de graça. Quem é que queria aceitar este desafio? Numa palestra que o Rev. David Wilkerson foi convidado para fazer aos alunos da Escola Bíblica Central em Springfield (Missouri), e após um profundo momento de oração, o Espírito Santo de novo se manifestou e David pôde escolher vinte de entre setenta que se apresentaram, dispostos a entregar totalmente as suas vidas a esta causa.


"Ele salvou-nos, não em virtude de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas mediante um novo nascimento e renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador"(Tt 3, 5-6)

Durante o primeiro mês de actividade do Centro, mais de quinhentos jovens foram alcançados com a mensagem do Espírito: deixaram a rua, procuraram emprego, começaram a frequentar a Igreja. Houve mudanças de vida dramáticas, aconteceram conversões que foram autênticos milagres e muitos rapazes e raparigas renderam-se totalmente ao senhorio do Senhor Jesus e viveram intensas experiências religiosas que os conduziram à vida consagrada.

Mas também houve recaídas. David, muito preocupado, chamou um a um alguns dos rapazes e raparigas vitoriosos para mais uma vez ouvir os seus testemunhos e em todos havia um denominador comum: apesar do momento alto da conversão, a completa vitória só viera após a efusão do Espírito Santo. David sentiu-se no limiar de algo maravilhoso: era o poder do Pentecostes a actuar directamente nas chagas daqueles ex-membros de quadrilhas, ex-viciados no mal, transformando-os e fazendo deles homens e mulheres novos, renovados.

Provada que foi esta relação entre a efusão do Espírito Santo e a capacidade de um jovem abandonar definitivamente o vício, David e a sua equipa programaram-se no sentido de levar todos os jovens a receber a efusão. Dia a dia foram acontecendo libertações e a percentagem de curas permanentes foi aumentando. Ao contrário dos narcóticos, o Espírito Santo prendia para libertar: prendia a Jesus Cristo para lhes dar a certeza de uma vida nova em esperança e liberdade.

Rafael, por exemplo, fumara maconha durante dois anos e usara heroína durante três. Centenas de vezes tentara libertar-se do vício, abandonando a quadrilha onde os outros membros o ajudavam a injectar o líquido nas veias, mas todas as vezes falhou. Certa noite, antes que assassinasse alguém quando estivesse louco sob o efeito das drogas, resolveu matar-se e subiu para um telhado. De repente, ouviu um cântico que vinha de uma reunião de oração numa casa mesmo ali em frente. Rafael desceu, atravessou a rua, foi convidado a entrar e ouviu falar de como Deus estava a agir nas ruas de Brooklyn, ajudando jovens viciados e presos a quadrilhas. Rafael foi tocado, entregou a sua vida a Cristo e, mais tarde, recebeu a efusão do Espírito Santo na capela do Centro "Desafio Jovem". Ao fim de um ano sem consumir drogas, começou a ser assediado pelos seus ex- companheiros de quadrilha e voltou as enfiar a agulha nas veias. Mas desta vez aconteceu uma coisa estranha: a droga não fez qualquer efeito, foi como se não tivesse tomado nada. Experimentou, isso sim, uma enorme vontade de ir rezar para a igreja mais próxima. E durante a oração, em vez de sentir nojo de si próprio, sentiu-se totalmente perdoado e invadido por um amor imenso. Os olhos de Rafael brilhavam enquanto dizia a David: "Reverendo, acho que estou verdadeiramente preso, não pela heroína, mas pelo Espírito Santo. Ele está dentro de mim, tomou posse de mim e não me vai deixar fugir".


"O Espírito e a Esposa dizem:"Vem!" Diga também o que escuta: "Vem!" O que tem sede que se aproxime; e o que o deseja beba gratuitamente da água da vida" (Ap 22, 17)

Assim, diariamente se foram escrevendo novos capítulos nas vidas de tantos jovens das ruas de Nova Iorque. E um volume novo começou a escrever-se em Chicago, onde foi aberto outro Centro "Desafio Jovem".

Quando algum dos colaboradores pergunta a David onde está o dinheiro, onde estão os livros, quem é o responsável, a sua resposta é sempre a mesma: o responsável é o Espírito Santo. E explica-lhes como, desde o começo do cristianismo, a efusão do Espírito Santo, o baptismo no Espírito Santo, tem tido um significado especial porque marca a diferença entre o trabalho de um homem, ainda que audacioso e bem sucedido, e a missão de Jesus Cristo: Jesus baptizaria os Seus discípulos com o Espírito Santo que viria depois da Sua morte e que ficaria para sempre com eles para os confortar, guiar e dar-lhes aquele poder que permitiria levarem ao mundo a Sua mensagem. Por isso, enquanto o Espírito Santo for o responsável, os programas progredirão; no momento em que tentarmos resolver as coisas pelo nosso próprio poder, fracassaremos.

E é precisamente com estas palavras que o Reverendo David Wilkerson termina "A Cruz e o Punhal": "O Espírito Santo é o responsável. Deveríamos escrever estas palavras nos umbrais das nossas casas. Mas como palavras não podem significar muito, faremos melhor: vamos escrevê-las nas nossas vidas e nas vidas de todos aqueles que pudermos alcançar e inspirar com o Espírito do Deus Vivo".

Isabel Moraes Marques

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