As
notícias que temos sobre o retiro de Duquesne
são muito abundantes. A maioria dos que nele participaram ainda estão vivos
e continuam a testemunhar o que ali se passou. Patti Mansfield dá muitos detalhes.
Esse retiro assinalou, por assim dizer, o nascimento do Renovamento Carismático.
Os
professores que tinham tido a experiência da efusão do Espírito estavam à frente
de uma associação estudantil da Universidade de Duquesne, chamada
Chi-Ro, fundada para fomentar a oração, a actividade litúrgica, o testemunho
cristão e a acção social. Eles prepararam o retiro do grupo para os dias 17-19
de Fevereiro de 1967. Depois de algumas alternativas, elegeram como tema do
retiro o estudo do livro dos Actos dos Apóstolos (c.1-4). Durante as sessões
de preparação não fizeram nenhuma referência directa à efusão do Espírito, mas
recomendaram a todos a leitura do livro A
cruz e o punhal. Os professores tinham grandes expectativas sobre o que
poderia ocorrer nesse retiro.
Na
sexta-feira dia 17 de Fevereiro de 1967, os dois moderadores da Faculdade com
suas esposas, o capelão e uns 25 estudantes foram para uma mansão chamada The
Ark and the Dove, A arca e a pomba, situada num bosque a cerca de vinte
quilómetros de Pittsburg, uma casa de campo com três andares e com 23 quartos.
Ao lado havia uma casita para albergar mais algumas pessoas. O grupo de Flo
Dodge orou intensamente pelo êxito do retiro. Estavam certos de que Deus ia
actuar com uma explosão de poder.
No
começo de cada sessão do retiro cantavam o hino Veni
Creator Spiritus. Na sexta-feira, depois da sessão de abertura, houve uma
liturgia penitencial. No sábado de manhã, Paul Gray falou sobre o primeiro capítulo
dos Actos dos Apóstolos, depois celebraram missa e houve um ensinamento sobre
as mulheres na Bíblia. O ensinamento da tarde, sobre o segundo capítulo do livro
dos Actos, esteve a cargo de Flo Dodge, que ninguém no grupo conhecia. A sua
dissertação versou sobre o Senhorio de
Jesus e a efusão do Espírito Santo. Esse foi um momento-chave do retiro.
Enquanto ela falava Patti Mansfield já estava ansiando ter o que ela transmitia
e escreveu nos seus apontamentos: “Jesus, torna isto vivo e real para mim!”
Um
dos professores perguntou em determinado momento: “Aceitais o que o Espírito
possa fazer em vós?” A resposta de Patti foi a seguinte: “Estou atemorizada.
Quero um milagre!” E outro estudante replicou: “Também eu”.
Apenas
pouco mais de metade dos estudantes que participaram no retiro de Duquesne,
segundo o testemunho de Patti Mansfield, receberam a efusão do Espírito. Para
alguns, aquele retiro “não foi um sucesso religioso definitivo” nas suas vidas.
Mas ali, numa pequena mansão, num fim-de-semana de Fevereiro, com a presença
unicamente de um grupo de estudantes e de alguns professores da Universidade
de Duquesne, nasceu o Renovamento Carismático. Ali começou a acender-se a chama
que está a encher de fogo o mundo inteiro. Dali espalhou-se, ‘como fogo num
canavial‘, por todo o mundo. Aquele retiro foi o primeiro encontro em que um
grupo de católicos experimentaram a efusão do Espírito e os dons carismáticos.
Professores e estudantes, para além de uma maravilhosa transformação interior,
puderam contemplar, ante os seus olhares atónitos, o despertar dos carismas:
ali estava o louvor, o dom de línguas, de cura, a profecia, a palavra de conhecimento...
Era a mesma experiência dos pentecostais que se fazia presente neles, uns simples
americanos do século XX, numa sociedade que falava da morte de Deus. Mas, de
repente, tudo era renovado pelo Espírito e passava a fazer parte da vida de
cada dia de cristãos normais. Tornaram-se participantes na primeira experiência
de pentecostes. “No Retiro de Duquesne só houve um protagonista: o Espírito
de Deus. Ali só se fez uma obra: a Sua; dali só ficou o que tinha de ficar:
uma chama para o mundo. Ali nasceu, de um modo desconcertante e surpreendente,
o Renovamento Carismático. Ali só houve 25 rapazes e raparigas universitários,
que foram surpreendidos pela acção poderosa do Espírito. Ninguém podia fazer
prever o que ali se passou, ninguém podia imaginar que aquilo seria como uma
bomba-relógio, que haveria de explodir no mundo inteiro. O que ali sucedeu não
teve ares de grandeza. Foi só um retiro de fim de semana. Apenas isso. Não se
fizeram grandes planeamentos nem projectos. Se alguém tivesse dito àquele grupo
de jovens o que se iria passar, ter-se-iam rido a bandeiras despregadas. Mas
assim são as coisas de Deus. Do que não conta, do insignificante, faz maravilhas.
Assim começou aquilo que hoje conhecemos com o nome de Renovamento Carismático
Católico.
Pe. Vicente Borragán Mata, OP
in “Como um Vendaval... O Renovamento Carismático”,ed. Pneuma