O
Renovamento Carismático não é algo completamente novo na vida da Igreja. Ao
longo dos séculos conheceram-se muitas renovações,
avivamentos (revivalismos) ou despertares. A maioria dessas renovações ou
reformas surgiram por uma certa nostalgia da vida da Igreja primitiva, uma Igreja
transbordante de Espírito e de carismas. Todos os movimentos revivalistas foram uma reacção contra a instalação e o
formalismo que se foram introduzindo na Igreja com o passar do tempo.
O
primeiro movimento carismático conhecido
na vida da Igreja foi protagonizado por Montano, nos finais do século II da
nossa era. Mas não é fácil fazer-se uma ideia do que realmente foi. Só o conhecemos
através do testemunho daqueles que se lhe opuseram. O montanismo
foi uma reacção muito forte contra uma Igreja que começava a mostrar os primeiros
sintomas de instalação. Pôs em evidência os carismas de falar
em línguas e de profecia. Mas
os abusos incrustaram-se no seu seio. Reprovou-se a sua rigidez, o iluminismo,
o feminismo e, sobretudo, a pretensão de estabelecer uma hierarquia carismática
em competição com a hierarquia oficial. A hierarquia da Igreja pôs em ordem
aquela desordem e impôs a disciplina. Assim se evitou o risco de desvio. Mas
a intervenção da Igreja teve como efeito o quase total desaparecimento dos carismas.
Na Idade Média apareceram muitos grupos entusiastas e carismáticos: os
Valdenses, discípulos de Pedro Valdo; os
Fraticelli, as Beguinas, terciárias
franciscanas conquistadas pelas ideias dos Fraticelli, etc. Não é fácil determinar o valor de nenhum destes grupos,
já que os seus escritos desapareceram quase por completo e só os conhecemos
pelo testemunho dos que se lhes opunham. Mas sabemos que tratavam de voltar
à pobreza e à vida evangélica.
A partir do séc. XVII produziram-se, no seio da Reforma protestante, uma série
de movimentos que foram designados como revivalismos
ou despertares (Revivals).
A figura mais significativa foi a de J. Wesley (1703-1791), sacerdote anglicano,
fundador do Metodismo.
Para os metodistas, o essencial era a primeira conversão do homem, o encontro
pessoal com Jesus, a experiência de salvação. A conversão foi considerada como
um primeiro passo ou como uma bênção,
a que se devia seguir outra para assegurar a firmeza da primeira conversão.
Esta segunda bênção recebeu o nome de santificação.
No Movimento de santidade, derivado
do Metodismo de J. Wesley, a santificação
foi designada com o nome de baptismo no
Espírito. A expressão passava assim a fazer parte da vida ordinária dos
Movimentos de santidade.
Pe. Vicente Borragán Mata, OP
in “Como um Vendaval... O Renovamento
Carismático”,ed. Pneuma