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ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O DOM DE LOCUÇÃO 

 

 

I - O dom de locução no Antigo Testamento

1.    Desde os alvores da História da humanidade, o dom de locução é o meio pelo qual Deus Pai, se serviu – e continua a servir-se - para falar com os seus filhos e suas filhas. Este dom começou no jardim do Éden logo após a criação de Adão e Eva. Com efeito, «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» «Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento» (Gn 1,26-29).

          Eis aqui o início da locução exterior.

 

2.    Mas Deus não fica por aí. Após o pecado do primeiro casal da humanidade, Adão e Eva «Ouviram, então, a voz do Senhor Deus, que percorria o jardim pela brisa da tarde, e o homem e a sua mulher logo se esconderam do Senhor Deus, por entre o arvoredo do jardim.

 Mas o Senhor Deus chamou o homem e disse-lhe: «Onde estás?»

 Ele respondeu: «Ouvi a tua voz no jardim e, cheio de medo, escondi-me porque estou nu.» O Senhor Deus perguntou: «Quem te disse que estás nu? Comeste, porventura, da árvore da qual te proibi comer?» O homem respondeu: «Foi a mulher que trouxeste para junto de mim que me ofereceu da árvore e eu comi.»O Senhor Deus perguntou à mulher: «Por que fizeste isso?» A mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi» (Gen 3, 8-13).

        Neste episódio, o dom de locução exterior transforma-se num diálogo entre Deus, Adão e Eva.

 

3.    O diálogo começado com Adão e Eva vai continuar. Depois do pecado de Caim, Deus voltou a encontrar-se com a sua criatura: «O Senhor disse a Caim: «Onde está o teu irmão Abel?» Caim respondeu: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?»O Senhor replicou: «Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim.De futuro, serás amaldiçoado pela terra, que, por causa de ti, abriu a boca para beber o sangue do teu irmão….» (Gn 4, 9-11).

 

4.           Na história de Noé, não há diálogo. É só Deus que fala:

«Então Deus disse a Noé: «O fim de toda a humanidade chegou diante de mim, pois ela encheu a Terra de violência. Vou exterminá-la juntamente com a Terra.Constrói uma arca de madeiras resinosas. Dividi-la-ás em compartimentos e calafetá-la-ás com betume, por fora e por dentro»… (Gn 6,13-16).

Depois, «O Senhor disse a Noé: «Entra na arca, tu e toda a tua família, porque só a ti reconheci como justo nesta geração»… (Gn 7,1).

«Deus abençoou Noé e os seus filhos, e disse-lhes: «Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra» … (Gn 9, 1).

 

5.    Os anos passam, mas Deus persiste em dialogar com as suas criaturas: «O Senhor disse a Abrão:«Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas» (Gn 12, 1-3).

«Após estes acontecimentos, o Senhor disse a Abrão numa visão: «Nada temas, Abrão! Eu sou o teu escudo, a tua recompensa será muito grande.» Abrão respondeu: «Que me dareis, Senhor Deus? Vou-me sem filhos e o herdeiro da minha casa é Eliézer, de Damasco.» Acrescentou: «Não me concedeste descendência, e é um escravo, nascido na minha casa, que será o meu herdeiro.» Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida, nos seguintes termos: «Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas» (Gn 15, 1-4).

          Também com Abrão a locução exterior torna-se diálogo.

 

6.    «Deus falou a Israel numa visão, durante a noite, e disse-lhe: «Jacob! Jacob!» Ele respondeu: «Eis-me aqui.» E Deus prosseguiu: «Eu sou o Deus de teu pai: não hesites em descer ao Egipto, porque tornar-te-ei ali uma grande nação. Eu mesmo descerei contigo ao Egipto; e Eu mesmo far-te-ei voltar de lá; e será José quem te fechará os olhos» (Gn 46,2-4).

 

7.    O diálogo entre Deus e a humanidade retoma novas matizes com a história de Moisés, com o qual Deus falava face a face. Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!» Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa.» E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus. O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus opressores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios» (Ex  3,4-8).

 

8.    A partir deste momento, aparece um elemento importante, na história da locução. Nem todas as pessoas têm a dita de poder ouvir a voz de Deus. Nestes casos, Deus fala a uma pessoa, através da locução interior ou exterior, e esta transmite a voz de Deus a uma outra que deve executar uma missão especial. Ora vejamos:

«O Senhor disse a Moisés: «Vê, Eu faço de ti como um deus para o faraó, e Aarão, teu irmão, será o teu profeta. Tu dirás tudo o que Eu te ordenar, e Aarão, teu irmão, falará ao faraó para que deixe partir os filhos de Israel da sua terra» (Ex 7, 1-2).

 

9.    Na história do Povo de Israel, Deus nunca fala directamente ao povo, porque o povo não é digno de escutar a Sua voz, mas Deus passa sempre por uma terceira pessoa. Eis um exemplo: «O Senhor disse a Moisés: «Porque clamas por mim? Fala aos filhos de Israel e manda-os partir. E tu, levanta a tua vara e estende a mão sobre o mar e divide-o, e que os filhos de Israel entrem pelo meio do mar, por terra seca» (Ex 14, 15-16).

Mais tarde, «O Senhor disse a Moisés: «Assim dirás aos filhos de Israel: Vós mesmos vistes que foi dos céus que Eu falei convosco» (Ex. 20, 22).

 10 . No Antigo Testamento, é sempre Deus Pai que fala directamente com o Seu povo ou através duma pessoa escolhida: «Tendo morrido Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Nun e auxiliar de Moisés: «Moisés, meu servo, morreu. Levanta-te, pois, e atravessa o Jordão, tu e todo o povo, e entra na terra que Eu darei aos filhos de Israel» (Js 1, 1-2).

 

 11 . A partir dum certo momento, Deus passou a falar com as pessoas através dum Anjo ou dum Arcanjo. Exemplo: «Veio, então, o anjo do Senhor e colocou-se debaixo do terebinto de Ofra, que era propriedade de Joás, da família de Abiézer; e Gedeão, seu filho, estava a limpar o trigo no lagar, para o esconder da vista dos madianitas.O anjo do Senhor viu-o e disse-lhe: «O Senhor está contigo, valente guerreiro!» (Jz 6,11-12).

 

12.    Sem nos determos longamente a decrever a história dos Profetas, como norma, encontramos neles a locução interior. Algumas vezes também a locução exterior. Deus fala interiormente aos profetas e eles vão comunicar aos sacerdotes, ao rei ou ao povo a mensagem que receberam de Deus. Se nós lermos os livros proféticos encontramos por toda a parte esse dinamismo: Deus fala ao profeta; o profeta transmite, a quem Deus o enviou, a mensagem recebida

 

II – O dom de locução no Novo Testamento

 

1.  No início do Novo Testamento, a maior parte das vezes, Deus fala através dum Anjo ou um Arcanjo para transmitir a sua vontade. Logo ao início do Evangelho de Lucas, Deus envia o Arcanjo Gabriel a Zacarias:

« O anjo disse-lhe:«Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João» (Lc 1, 13).

 

2.           O mesmo sucedeu com o  anúncio do nascimento de Jesus: «O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.

Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo…» ( Lc 1, 26-28).

 

3.    «José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que «O anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21).

Algum tempo, apòs o nascimento de Jesus, «O anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt 2,13).

«Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.» Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel» (Mt 2,19-21).

 

III – Durante a vida pública de Jesus,

Deus falou directamente com o seu povo

 

1.    «Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo.Este Filho, que é resplendor da sua glória e imagem fiel da sua substância e que tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (Heb 1, 1-3).

      

       2 . “Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 14-15).

 

       3 . Sabendo que não ia ficar visivelmente neste mundo para sempre, Jesus forma uma comunidade que vai continuar a sua missão, para que a voz de Deus continue a ressoar entre o povo. Com efeito, «Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens» (Mt 4,18-19).

 

4      . Na vida pública de Jesus há três episódios. Onde o Pai fala directamente com o Seu Filho, ou nos fala do Seu Filho:

 

1º. No Baptismo de Jesus:

«Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado» (Mt 3, 16-17).

«Tendo Jesus sido baptizado também, e estando em oração, o Céu rasgou-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus todo o meu agrado» (Lc 3, 21-22). Segundo Mateus, o Pai apresenta-nos o Filho; segundo Lucas, o Pai fala directamente ao Seu Filho. Nos dois casos, temos manifesta a locução exterior.

 

2º. No nomento da Transfiguração

«E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o» (Lc  9,35)

«Uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado» (Mt 17, 5).

Nos dois textos sobre a transfigueação de Jesus, temos a locução exterior do Pai. Há uma pequena diferença nos dois textos. Em Lucas, o Pai convida-nos a escutar o Filho predilecto; em Mateus, o Pai apresenta simplesmente o Filho muito amado.

 

3º. Num momento de grande perturbação, Jesus pede: «Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!» (Jo 12,28).

Também aqui o Pai falou, mas as pessoas presentes não compreenderam, só Jesus compreendeu o que o Pai lhe dizia.

 

       5 . Antes de deixar este mundo e ir para junto do Pai, Jesus enviou os apóstolos, para continuarem essa missão:

«Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 18-20).

Lendo os Evangelhos, as cartas de S. Paulo e dos outros Apóstolos, apercebemo-nos imediatemente que, através desses escritos, Deus continua a falar com o seu povo.

 

IV - Nos nossos dias

 

Atualmente, Deus continua a comunicar com o seu povo, através de revelações, de visões, de profecias, de aparições e, em particular, através da locução interior ou exterior. Poderíamos mesmo dizer que o dom de locução é o meio ordinário pelo qual a Corte Celeste, [Deus Pai, Filho, Espírito Santo, a Virgem Maria, os Arcanjos, os Santos…] se serve para falar com os filhos e filhas de Deus.

«Como está escrito:O que os olhos não viram,os ouvidos não ouviram,  o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam. A nós, porém, Deus o revelou por meio do Espírito. Pois o Espírito tudo penetra, até às profundidades de Deus» ( 1 Co 2. 9-10).

 

Devemos distinguir:

 

1º. Através do dom de locução exterior, uma pessoa da Corte Celeste fala através dum homem ou de uma mulher, pessoas muito humildes e muito simples, a quem é concedido esse dom. A pessoa é impelida a falar e todas as pessoas presentes ouvem claramente a mensagem que, através dessa pessoa, nos é comunicada. Normalmente, esse dom é exercido nos grupos com uma forte espiritualidade, entre os quais podemos apontar os pequenos cenáculos de oração. As mensagens recebidas podem ser dirigidas a uma pessoa, a uma comunidade, a uma paróquia, a uma diocese, etc. É o caso que sucede connosco aqui em Isiro, onde habito. Nos três cenáculos de oração, temos connosco seis mulheres que têm esse dom.

 

2º. Pelo dom la locução interior, uma Pessoa da Corte Celeste comunica uma mensagem interior a uma pessoa. Mensagem essa, que só a pessoa em questão, ouve. As pessoas presentes não ouvem nada. Depois a pessoa que recebeu a mensagem por locução interior é livre de a comunicar ou não a outras pessoas. Concretamente aqui, nos nossos cenáculos de oração, temos três homens e duas mulheres com esse dom.

 

3º. Os casos mais evidentes de locução interior são as aparições de Nossa Senhora. Em Fátima, por exemplo, Nossa Senhora falava com a Lúcia, mas nenhum dos presentes ouvia a voz da Mãe do Céu.

Presentemente em Medjugorje, quem como eu, teve a dita de lá ir e presenciar a uma aparição, a três metros da Vidente, constatou, pela transformação das suas feições, pelo movimento dos seus lábios, etc. que ela estava a falar com Nossa Senhora. Mas nenhum dos presentes ouviu a Voz da Rainha da Paz. Quando a aparição acaba, a vidente transmite aos presentes a menagem recebida.

 

Espero que estes esclarecimentos tenham sido suficientes para quem podia ter dúvidas sobre o dom da locução.

Dou de seguida, um pequeno testemunho dos Cenáculos de Oração em que tenho participado, e em que este dom tem surgido, através de alguns irmãos, dum modo particular.

 

 

CENÁCULOS DE ORAÇÃO

A partir do mês de Fevereiro de 2015, estou a fazer uma experiência extraordinária que me era desconhecida. Trata-se de rezar em pequenos grupos, «cenáculos», onde há pessoas que têm dons especiais, como a locução interior ou exterior; a visão, a revelação, a profecia em línguas, a interpretação, etc. Através destas pessoas que, normalmente são leigos ou leigas, há sempre Alguém da «Corte Celeste» que nos fala. Este é o meio normal, através do qual, nos nossos dias, a Mamã, o Papá, o Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo, um Arcanjo, Anjo, ou Santo nos falam.

Estamos a viver no tempo do Espírito Santo e Ele trabalha sempre em união com a Santa Virgem Maria. Por isso, quando nos reunimos nos pequenos «cenáculos», precisamos de estar sempre em comunhão com Ela, através da recitação do Rosário. O Papá depositou na Mamã todos os dons, que Ele quer distribuir pelos seus filhos e filhas. Por isso, hoje, um canal preferencial através do qual podemos receber os dons do Espírito Santo é através da Mamã. Ora, normalmente, Ela distribui todos os dons durante a recitação do Santo Rosário. Uma das críticas mais fortes que o Senhor Jesus nos fez, aqui no Congo, é que muita gente que reza no RCC põe de parte a Santa Virgem Maria, por isso, afastam o Espírito Santo, que trabalha sempre juntamente com Ela.

Um aspeto importante destes “cenáculos” é que quem recebe os dons em primeiro lugar são os leigos, porque são mais humildes e simples que os padres e os bispos. Esses leigos são canais através dos quais passam os dons para os padres e bispos, desde que estes desçam do seu pedestal e que, com humildade e simplicidade, se ponham a rezar o terço juntamente com os leigos que possuem esses dons. Há muitos leigos e leigas que têm o dom da locução, enquanto são raros os padres que o possuem. Por exemplo, até agora, já rezei ao lado de seis leigas e um leigo que têm o dom da locução; outros que têm o dom da visão, da revelação, da profecia em línguas, etc. e só encontrámos um padre da diocese de Kinshasa com esse dom. Deus só concede esses dons especiais a pessoas muito simples e humildes que, normalmente, são os leigos e as leigas. Através dessas pessoas Deus comunica-nos mensagens muito importantes em relação ao mundo, às nações, aos governantes, a um país, a uma paróquia, aos bispos, aos padres, etc. Frequentemente, a Mamã, o Papá, Nosso Senhor Jesus Cristo ou outra pessoa da «Corte Celeste» falam diretamente e individualmente a cada membro do “cenáculo”.

Para ser mais concreto, aqui no Congo, daquilo que conheço, só existem três «cenáculos». Um em Lubero, diocese de Butembo (Congo), outro em Kinshasa e o terceiro em Isiro. Foi através duma senhora de um desses cenáculos que, no santuário de Maria Rosa Mística na cidade de Lubero, eu tive conhecimento da existência do dom de locução e dos cenáculos onde esse dom se manifesta. Essa senhora, põe-me em contacto com a Corte Celeste. A primeira pessoa a falar através dela é sempre a Mamã. Depois Ela passa a palavra ao Papá, a Seu Filho, ao Espírito Santo, a um Arcanjo ou Santo.

Um dia, em que estava em comunicação com a Corte Celeste, juntamente com três colegas, são João Paulo II, disse-nos que em Kinshasa também havia pessoas com esse dom, que as procurássemos. Através delas, poderíamos entrar também em contacto directo com a Corte Celeste. De facto, encontramos um padre diocesano do Movimento Sacerdotal Mariano com esse dom. Ele indicou-nos um leigo com o dom da locução interior, pertencente ao mesmo movimento. Esse leigo pôs-nos a contacto com duas leigas com o dom da locução exterior. Com essas três pessoas e dois colegas Combonianos, formámos o «Cenáculo São João Paulo II», na paróquia com o mesmo nome. Depois juntaram-se a nós mais três padres e três leigos. Passámos a ser doze pessoas. Aí esses dons começaram logo a manifestar-se.

Quando parti de Kinshasa para Isiro (norte do Congo), onde moro agora, o Papá disse-me que em Isiro havia pessoas com esses dons; que as procurasse. De facto, falando com o Bispo da diocese, o assistente diocesano do RCC e o presidente da ESD, garantiram-me que havia no ministério de intercessão dos grupos do RCC pessoas com esses dons extraordinários. Em seguida, encontrei-me com os líderes do RCC da paróquia de Santa Ana. Eles disseram-me que entre os membros do ministério de intercessão havia duas senhoras que tinham o dom de locução. Com elas, mais duas leigas, quatro leigos, três religiosas e eu, doze pessoas ao todo, formámos o nosso «Cenáculo Sant’Ana». Reunimo-nos todas as terças-feiras às 8,00h da manhã. Aí, o Senhor tem-se manifestado duma maneira extraordinária. Os dons mais visíveis são o dom de cura e libertação, concedidos aos doze membros do “cenáculo”. A quatro deles (dois homens e duas mulheres) foi concedido também o dom da evangelização que eles exercem maravilhosamente. Muitos outros dons e graças têm-nos sido concedidos. Através da oração do “cenáculo”, o Senhor está a fazer maravilhas a nível familiar e paroquial.

Depois de um Seminário de três dias sobre intercessão, para todos os intercessores e intercessoras das seis paróquias da cidade de Isiro, o Senhor disse-nos que gostaria que se formassem «cenáculos» à imagem do de Santa Ana em todas as paróquias de Isiro. Segundo Ele, neste cenáculo foi acesa «uma grande fogueira». Agora todas as paróquias que quisessem formar os seus “cenáculos” deveriam vir buscar o fogo a Santa Ana para irem acender a fogueira nos seus “cenáculos”. Para glória de Deus, há já cinco paróquias da diocese de Isiro que estão a organizar-se para fundarem os próprios “cenáculos”. Além disso, o Senhor disse-nos que este «fogo» ateado em Isiro deve ultrapassar os limites desta diocese e estender-se a muitas outras.

Aquilo que deixa todas as pessoas atónitas é quando estes leigos e leigas rezam por pessoas fisicamente doentes ou atingidas por toda a espécie de magia, bruxaria, ocultismo, etc. Essas pessoas ficam imediatamente curadas das doenças físicas e libertas das forças do mal. Este facto está a atrair para a Igreja Católica, cristãos que a tinham deixado, para irem para outras igrejas, pensando que iam obter a salvação.

Lá para o Verão do próximo ano 2017, quando for de férias a Portugal, espero poder partilhar convosco esta bela experiência e, se possível, colaborar convosco para dar origem a outros “cenáculos”.

 

P. Alfredo Neres, mccj 

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