Maria, mulher Eucarística

 

 

Entre todos os santos, a santíssima Virgem Maria resplandece como modelo de santidade e de espiritualidade eucarística. Maria está de tal maneira ligada ao mistério eucarístico que mereceu que o papa João Paulo II, na encíclica "Ecclesia de Eucharistia", justamente a chamasse "Mulher eucarística". 


Na existência de Maria de Nazaré exprime-se, de forma sublime, não só a relação exclusiva entre a Mãe e o Filho de Deus que recebeu Corpo e Sangue do seu corpo e do seu sangue, mas também a íntima relação que une a Igreja e a Eucaristia, já que a Santíssima Virgem é modelo e figura da Igreja, cuja vida e missão têm a fonte e o ápice no Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo.

A orientação eucarística de Maria deriva de uma atitude interior que marca toda a sua vida, mais que da participação activa no momento da instituição do sacramento. A sua existência, que tem um profundo sentido eclesial, assume também esta nota eucarística. Maria viveu em espírito eucarístico, ainda antes de este sacramento ser instituído, pelo facto de ter oferecido o seu seio virginal à incarnação do Verbo de Deus. 

Durante nove meses, foi o tabernáculo vivo de Deus. Depois, realizou um gesto eucarístico e, ao mesmo tempo, eclesial, quando apresentou o Menino Jesus aos pastores, aos magos e ao sumo sacerdote no Templo, enquanto oferecia o Fruto bendito do seu seio ao povo de Deus e também aos gentios para que O adorassem e O reconhecessem como Messias.

Análogo acto foi a sua presença e a sua solícita intercessão em Caná, na hora do primeiro sinal que o Filho deu, oferecendo-Se através de um milagre. Semelhante gesto teve também a Virgem Maria aos pés da cruz, participando nos sofrimentos do seu Filho e, depois, acolhendo nos braços o Seu corpo e depondo-o numa sepultura como semente secreta de ressurreição e de vida nova para a salvação do mundo. Foi ainda uma oferta de natureza eucarística e eclesial a sua presença na efusão do Espírito Santo, primeiro dom do Senhor ressuscitado à Igreja nascente.

A Virgem Maria teve consciência de ter concebido Cristo para a salvação de todos os homens. Essa consciência tornou-se mais clara na sua participação no mistério pascal, quando o seu Filho com as palavras "Mulher, eis o teu filho" (Jo 19, 26) lhe confiou, na pessoa do apóstolo João, todos os fiéis. Como a Virgem Maria, também a Igreja torna presente o Senhor Jesus através da celebração eucarística para dá-l'O a todos a fim de que tenham a vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10).

 

in "A Eucaristia na Missão da Igreja"
(Instrumentum Laboris)
Sínodo dos Bispos, Cidade do Vaticano, 2005



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