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Exame de consciência

(As condições para um bom exame de consciência)

Padre José María Iraburu

 

 

O exame de consciência deve ser feito com fé, olhando para Deus, olhando para Jesus Cristo e para os seus santos. O Novo Ritual da Penitência (NRP) ensina que "todos devem analisar a sua vida à luz da palavra de Deus" (384).

O pecador não costuma conhecer-se a si mesmo. O ganancioso, o arrogante, o murmurador, o prepotente, o homem consumista, o cultivador de riqueza, quanto mais pecador é, geralmente menos consciência tem do seu pecado. O rico que se entrega a luxos, considera o seu modo de vida conveniente para o seu estado: assim o ensinaram desde a infância e é o que ele vê na sua família e amigos. A mulher que se mostra em topless na praia por horas, geralmente não vê nada de errado nisso: isso é normal, porque o fazem todas aquelas ou a maioria das suas amigas, algumas mesmo com missa diária. O homem que trata seus empregados com afastamento e dureza, acha que é isso conveniente para o bem da família, da empresa e dos próprios trabalhadores. O prior que faz coisas e mais coisas boas, mas que dificilmente encontra tempo para rezar, acredita que faz o que deve, porque a sua vocação é ser ativo e "tudo é oração". O religioso que, tendo feito um voto de pobreza, e vive num nível alto de qualidade de vida, pode fazê-lo com a consciência tranquila, porque ele pensa que assim cuida mais da sua saúde física e psicológica, e, desse modo, pode servir melhor as pessoas que atende no seu apostolado. A freira que assumiu voto de virgindade, mas que se entrega a algumas amizades que vão além do que lhe é concedido, pode estar consciente de sua infidelidade, mas considerar que isso é algo natural, que aperfeiçoa as suas emoções, e até mesmo estimula o seu amor por Cristo seu esposo ...

 

O sacramento da penitência, com o exame de consciência que o precede e as exortações do confessor deve ser uma escola de formação das consciências. E assim é, quando as confissões são suficientemente frequentes, e quando o confessor, pela experiência e pela ciência, possui boa doutrina. O mesmo efeito é alcançado quando o cristão tem um bom diretor espiritual. Deve-se reconhecer, entretanto, que em muitas Igrejas locais não é fácil encontrar bons confessores e bons diretores espirituais, porque não há muitos que conhecem os caminhos da santidade: não os conhecem, nem pela ciência, nem pela experiência pessoal. Mesmo às vezes não é fácil de encontrar confessores e diretores, nem bons nem maus, seja pela escassez de sacerdotes, seja por faltar nos que existem, apreço pela confissão e direção espiritual. Em qualquer caso, é melhor não ter um diretor espiritual ou confessor fixo, quando eles são maus ou incompetentes.

A ajuda que para a vida espiritual pode prestar um bom confessor ou diretor é grande, particularmente na formação das consciências e no prudente discernimento de situações complexas. E isto é verdade não só para os iniciantes, mas também nos mais avançados. Santa Teresa, por exemplo, como ela diz, "não fazia nada que não fosse com o parecer dos letrados" (Vida 36,5). "É grande coisa as letras, porque elas nos ensinam aos que sabemos pouco, e nos dão a luz, e uma vez chegados às verdades da Sagrada Escritura, fazemos o que devemos. De devotas a bobas, livre-nos Deus" (13,16)" Um bom letrado nunca me enganou "(5.3).

 

Pelo contrário, como ela mesma refere, por dezassete anos, "um grande dano fizeram à minha alma os confessores meio letrados ... o que era pecado venial diziam-me que não era pecado; o que era mortal gravíssimo, que era venial "(Vida 5.3). Pareceria que, pelo menos, as verdades fundamentais qualquer diretor as conhece; "mas é engano." ...

As mesmas queixas encontramos em São João da Cruz

 

Ao ministrar o sacramento da Penitência, o sacerdote pode verificar quantas vezes o penitente não se conhece a si mesmo, dá maior importância a coisas pequenas e desculpa como pecados leves perfeitamente toleráveis, pecados que em si mesmos, são mortais; não recebe facilmente as correções do confessor, embora talvez não resista exteriormente, atribuindo-as ao mau caráter ou à formação moral já antiquada  do sacerdote; o seu combate espiritual, como não conhece bem o seu inimigo, é como alguém que dá socos no escuro contra um inimigo que o atingiu, mas que não consegue localizar: o oposto do que foi S. Paulo: "Eu luto, mas não contra o ar" ( 1 Cor 9,26). De qualquer forma, um bom exame de consciência não é tão simples e direto como parece à primeira vista. "Vamos ver que pecados cometi ultimamente, para os pôr numa lista e acusar-me deles em confissão" ... E acontece que muitas vezes o fazemos muito mal, contentando-nos com uma introspeção que não conduz ao verdadeiro conhecimento de si mesmo. E ao tornar-se frustrante, abandonamos facilmente o exame de consciência, uma prática espiritual muito benéfica.

 

O bom exame de consciência deve ser feito a olhar para Deus e para os santos, ao invés de olhar para si mesmo.

Se o cristão olhar mais para Deus e para o seu enviado Jesus Cristo, se receber mais a luz da sua Palavra, se ler mais o Evangelho e a vida dos santos, se dedicar mais tempo à oração, chegará a conhecer melhor as suas verdadeiras misérias, e as verá em relação com a Misericórdia Divina. Por isso, a liturgia do sacramento da penitência pede: "Deus, que iluminou os nossos corações, te conceda um verdadeiro conhecimento doa teus pecados e da sua misericórdia" (NRP 84).

 

Santa Teresa explica isto muito bem. "Na minha visão, nós nunca saberemos nos conhecer se não procurarmos conhecer a Deus; olhando para a sua grandeza, voltemo-nos para nossa humilhação, olhando a sua pureza, veremos a nossa imundície; considerando a sua humildade, veremos como estamos longe de ser humildes.                Há dois ganhos nisto: em primeiro lugar, é claro que uma coisa parece branca, muito branca junto ao negro, e vice-versa, preto com branco; a segunda é que o nosso entendimento e vontade ir-se-ão tornar mais nobres e dispostos para todo o bem,...

 

 

Ponhamos os olhos em Cristo, o nosso bem, e aí aprenderemos a verdadeira humildade, e nos seus santos, e se há de enobrecer o entendimento e o próprio conhecimento não fará [ao homem] ser ladrão e covarde "(1 Moradas2,9-11 ).

Quando a alma se vê iluminada numa alta vida de oração, "vê-se claramente indigníssima, porque onde entra muito sol, não há trevas escondidas; vê a sua miséria ... É-lhe apresenta a sua vida passada e a grande misericórdia de Deus "(Vida 19.2). "É como a água que está num copo, se não lhe dá o sol é muito limpa; mas se o sol lhe dá, vê-se que está tudo cheio de manchas. É, ao pé da letra, exatamente esta a comparação: antes de estar a alma neste êxtase, tem cuidado para não ofender a Deus e que, de acordo com as suas forças, faz o que pode; mas chegada aqui, dando-lhe o Sol da Justiça que faz com que abra os olhos, ela vê tantas manchas que gostaria de os voltar a fechar ... acha-se toda turva. Ela se lembra do versículo que diz: "Quem será justo diante de ti?" (Sl 142,2) "(Vida 20,28-29). A própria miséria há de encontrar-se mirando a Divina Misericórdia: assim se descobre, e fica em paz, vendo o negro do pecado com o fundo luminoso da bondade de Deus. Não nos desmoraliza saber do nosso pecado, antes nos encoraja "Como me suporta o Senhor!” - porque é uma oportunidade para conhecer mais o amor que Deus nos tem ao perdoar-nos. Entendemos que não termina o seu perdão, porque o seu amor misericordioso não acaba.

 

O exame de consciência tem que ser feito na caridade,

atualizando-a intensamente, porque só amando muito o Senhor, poderá ser advertida de uma falta, por mais  pequena que seja; o que pouco ama o Senhor, pouco é capaz de reconhecer os seus próprios pecados. Por outro lado, conhecendo na caridade as nossas culpas, então nós não as veremos ou experimentamos como falhas pessoais que nos humilham, mas como ofensas contra Deus, que nos levam ao verdadeiro sofrimento do coração e ao arrependimento.

 

 

O exame deve ser feito na abnegação da vontade própria,

pois esta influencia o juízo, e uma vez que a vontade permaneça ligada a algum mal, não nos deixará ver o mal como mal; na humildade, pois o orgulhoso ou o vaidoso é incapaz de conhecer e reconhecer seus pecados, ele é incorrigível, enquanto que apenas o humilde, na medida em que o é, está aberto à verdade, seja ela qual for; e vê a escuridão da sua culpa no fundo brilhante da misericórdia do Senhor; e, em profundidade, não limitando o exame a uma contagem superficial dos delitos, mas tentando descobrir as raízes do mal.

Lembro-me de uma jovem penitente, e já não tão jovem, que uma e outra vez se acusava em confissão do seu mau gênio. Arranjou um bom namorado, e passaram-lhe de todo os enfados. Mas, até então, não se acusava de sua rejeição da vontade providente de Deus, que mantinha sua solteirice prolongada e sem esperança. Acusava-se dos maus gênios que tal falta de conformidade com a vontade divina produzia. Sua consciência via os maus frutos, e deles se acusava; mas ela não via a árvore má que os produzia. Quem tem um diagnóstico errado, ou não tem qualquer diagnóstico de suas doenças espirituais, dificilmente poderá colaborar com o Cristo-médico que cura.

 

O exame de consciência deve ser feito em oração de petição. O cristão humilde, que busca sinceramente a santidade, e a fidelidade total à vontade divina, é consciente de sua própria cegueira, devido à sua pouca fé e débil caridade, e, portanto, pede ao Senhor que lhe dê a conhecer os seus próprios pecados: "absolve-me daquilo que se me oculta" (ab occultis meis munda me) (Sal 18,13).

Peça a Deus confiadamente: "Afasta-me do falso caminho, e dá-me a graça da tua vontade ... Guia-me no caminho dos teus mandamentos, porque ele é minha alegria" (Sl 118,29.32). "Trata com misericórdia o teu servo, ensina-me as tuas leis; sou teu servo, dá-me entendimento, e conhecerei os teus preceitos "(ibid 125-126.). "Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus. O teu espírito que é bom, me guie por terra plana "(Sl 142,10).

Neste espírito de oração suplicante, o exame de consciência consegue de Deus grandes avanços, e o conhecimento de si próprio. E da misericórdia de Deus.

Assim feito, o exame prévio para a confissão sacramental, e também o exame de consciência feito com frequência ou mesmo diariamente, sobre um determinado ponto ou, dum modo geral, são muito úteis para o crescimento espiritual. Por isso a Igreja os manda fazer diariamente aos religiosos, e o encoraja todos os fiéis. "Insistam os religiosos na conversão da sua alma a Deus, examinem as suas consciências diariamente, e aproximem-se com frequência do sacramento da penitência" (Canon Lei 664).

 

 

 

Comentários  

 
0 # Pneumavita - Exame de ConsciênciaPaulo Davi Lucca 13-03-2017 03:02
Pai deu à filha nome de Branca de Neve, e logo tornou a se casar com uma senhora
arrogante, esnobe e também vaidosa, possuidora de um espelho mágico que só falava a verdade.


Sinta se livre para surfe meu blog anões namorando: https://www.blackhatlab.com
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